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Argumentista de “Pôr do Sol” fala da segunda temporada — e desvenda nova série

“Da Mood” estreia em 2022 e vai contar a história de uma boyband. Mas não vai ser uma sátira a esta realidade.
Ainda não se sabe quantos episódios vai ter.

Foi no querido mês de agosto que estreou na RTP1 “Pôr do Sol”, uma sátira às telenovelas que rapidamente se tornou num dos maiores fenómenos televisivos do ano. Pouco tempo depois, a estação pública confirmou a segunda temporada, que estreia em 2022.

Em declarações à NiT, o argumentista Henrique Dias explica que a nova temporada está ainda numa fase embrionária. “Estamos a compilar ideias, a pensar em possíveis caminhos, perceber por onde vão as personagens. A fase da escrita acontecerá mais tarde.”

Henrique Dias salienta que o facto de ser uma segunda temporada tem tantas vantagens quanto desvantagens. “Por um lado, é uma espécie de segundo álbum. Há sempre aquele medo de falharmos no segundo álbum. Mas, por outro, temos uma vantagem: o público já conhece o código. O que faz com que possamos ir um bocadinho mais longe, arriscar mais.”

O desafio, argumenta, tem sido perceber o que faz sentido — abrir as portas ao non-sense sem fugir à sátira de uma típica novela portuguesa. “Às vezes entramos em loucuras e temos regressar à Terra, perceber que isto é uma novela e tem de ser uma sátira a uma novela. Existem situações que achamos que são muito fora e giras mas temos de perguntar: isto aconteceria numa novela? Não. Por isso temos de tirar. É um processo de nos contermos um bocadinho.”

A próxima série do argumentista

Chama-se “Da Mood”, as gravações terminaram na semana passada e é o próximo projeto escrito por Henrique Dias para a RTP. Trata-se de uma comédia dramática — ou “dramedy” — centrada numa boyband. A ideia aqui não é fazer uma sátira a estes grupos musicais, mas usar a banda como pretexto para explorar os problemas da vida real destas personagens.

O realizador Sérgio Graciano foi quem pensou primeiro na ideia para a série. Discutiu-a com Henrique Dias, que rapidamente embarcou no projeto. “Fomos buscar o Rui Melo para a direção musical e dediquei-me a fazer uma espécie de piloto. Falámos com a RTP, que gostou da ideia. Agarrei-me à escrita e fui falar com a Patrícia Müller e o João Nunes para montarem a estrutura comigo. Criamos a história juntos e depois escrevi sozinho, porque o que gosto mais de fazer são os diálogos.”

E acrescenta: “Quando comecei a desenvolver isto, cheguei à conclusão de que o mais interessante, como em qualquer narrativa, são as histórias das pessoas. Aquilo tem como pano de fundo o começo de uma boyband, mas depois centra-se muito nos problemas de cada um”. 

Nomeadamente do protagonista, Rui, que é interpretado por Miguel Raposo. “É ele que começa a banda. É um professor de música que não ganha dinheiro e está descontente com o que faz. Decide então juntar uma boyband como forma de ganhar dinheiro rapidamente. Dofre de ataques de pânico e ansiedade, com os quais vai ter de lidar durante toda a série.”

A banda é formada ainda por Gonçalo (José Mata), Tiago (Leo Bahia), Rúben (Tiago Teotónio Pereira) e Cláudio (Diogo Martins). “Os atores tiveram conversas com membros dos Excesso para perceber um bocadinho o que se passava e os conflitos que sentiam e essas coisas todas… É muito baseado nas boyband portuguesas. É um arquétipo do que é começar uma banda deste tipo, de uma forma muito amadora. A graça é que é tudo feito em cima do joelho. Não é uma coisa internacional — é à nossa escala.” À volta dos protagonistas, estarão as suas namoradas, mulheres e o agente (interpretado por Rui Melo). 

“A equipa adorou, correu tudo muito bem, está tudo muito entusiasmado. O grupo esteve super unido, as gravações correram mesmo muito bem. Estou ansioso por conhecer a data de estreia.”

As canções desta boyband vão ser muito bastante relevantes para o enredo. Henrique Dias escreveu as letras — tal como tinha feito para as bandas de “Pôr do Sol” — e Rui Melo ficou a cargo da parte instrumental. A dupla já tinha trabalhado em conjunto na adaptação do musical “Avenida Q”.

Leia também o artigo da NiT com declarações do realizador Sérgio Graciano sobre este projeto. 

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