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A primeira criação artística do Teatro Bravo estreia em Algés

“Magdalena” estará em cena nos dias 24 e 25 de junho, no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço.
O monólogo é interpretado por Maria Mouga Muge. Créditos: Filipe Ferreira.

O último fim de semana de junho traz um presente para os amantes de teatro que gostam não só de assistir a novas peças, como de ficar a conhecer companhias que primam por levar a palco temas pertinentes e atuais. “Magdalena” é o espetáculo que marca o arranque do Teatro Bravo.

A estreia decorre no final do mês com sessões a 24 e 25 de junho, sexta-feira e sábado, no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, com o acolhimento da Companhia de Atores.

O Teatro Bravo foi fundado em 2020 por Rafael Diaz Costa, ator, encenador e produtor, e nasce como uma estrutura de criação artística performática independente. Devido à pandemia, não foi possível pisar o palco durante dois anos, mas Rafael garante que não deixaram de realizar reuniões criativas e delinear artisticamente o caminho a seguir, com inspiração e vontade de trazer a palco as inquietações e urgências pessoais e coletivas. “Continuámos a reunir para a chama da ideia não se apagar”, afirma Rafael Diaz Costa, diretor artístico do Teatro Bravo.

E como bravos são aqueles que não se deixam desanimar pelos imprevistos e injustiças da vida, seguindo em frente com garra e vontade, o Teatro Bravo chega agora aos palcos para “provocar, inquietar, perturbar e, sobretudo, invocar pensamento e diálogo através da arte, servindo como um veículo à inclusão, à pluralidade e proporcionando um espaço de encontro, tornando o palco um lugar democrático”.

À New in Oeiras, Rafael conta: “Quando pensámos no Teatro Bravo, quisemos criar uma estrutura criativa livre para fazermos o que quiséssemos, sem rótulos. Existem vários caminhos que podemos explorar artisticamente, desde comédia, a tragédia, revista, performance, o futuro dirá”.

Depois de muito tempo a ser pensada e desenvolvida, chega agora aos palcos a primeira criação artística do Teatro Bravo. “Magdalena” é uma peça que traz quatro testemunhos reais, quatro histórias de mulheres com condições sociais e económicas diferentes entre si, que contam a experiência de viver na periferia, à exceção de uma delas que foi presa durante o período do Estado Novo e sujeita a tudo o que o regime impunha.

Uma peça inquietante. Créditos: Filipe Ferreira.

Rafael Diaz Costa garantiu à NiO que “esta não se trata de uma peça feita para criar conforto, pelo contrário, cria bastante desconforto e sabemos que as pessoas fogem dele”. E acrescenta: “É uma peça que nos faz pensar nos caminhos que estamos a seguir enquanto sociedade, que nos faz refletir para onde vamos, num pensamento dividido em três tempos, passado, presente e futuro”.

Na sinopse da peça podemos ler: “Dos gritos de descontentamento e das forças abstencionistas, dois atores partem de mochila às costas e percorrem lugares periféricos deste corpo chamado Portugal. Na sua caminhada encontram fragmentos de lugares votados ao esquecimento. Cruzam-se com as gentes desses lugares e acumulam na sua mochila as suas vozes nunca ouvidas, as suas estórias esquecidas e a força individual que constrói este Corpo. Invocando as pessoas e os lugares, o palco torna-se o lugar de manifestação”.

O monólogo é representado pela atriz Maria Mouga Muge. É ela que dá vida às mulheres, aos testemunhos aqui contados ao mundo, a partir de um cenário simples, mas versátil e adaptável a qualquer cena da peça. “O cenário acompanha a atriz na sua interpretação, adapta-se a todas as cenas que ela tem em palco”, conta o diretor artístico do Teatro Bravo.

As sessões começam às 21 horas no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, na Rua Eduardo Augusto Pedroso 16A, em Algés. Os bilhetes custam 10€ e pode comprá-los online. Siga o Teatro Bravo no Instagram para ficar a par de tudo o que está para chegar. Para qualquer informação adicional pode enviar um email para producao@nullteatrobravo.pt ou ligar para o número de telemóvel 918 159 000. 

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