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“A Mão de Midas”: a nova minissérie espanhola da Netflix que promete ser viciante

Uma chantagem coloca o protagonista da história perante um dilema moral.
“A Mão de Midas” já está disponível.

É em modo suspense, de ritmo acelerado e com dúvidas sobre o que está a acontecer que somos lançados diretamente para a trama de “A Mão de Midas”, a minissérie da Netflix que chegou à plataforma na sexta-feira, 13 de novembro, e que já encontrou espaço no top 10 da plataforma, mostrando que o público português continua atento à ficção que se faz no país vizinho.

Mateo Gil e Miguel Barros, os criadores, trabalharam numa primeira versão de “A Mão de Midas” ainda em 2001, exatamente cem anos após a publicação da história original de Jack London, com o mesmo título. Na altura, o conto de cerca de oito páginas foi transformado num guião para um filme. Mas o tempo era apertado para a narrativa que se queria desenvolver. Em 2008, a crise financeira meteu-se pelo meio e o projeto continuou na gaveta.

Surge agora, quase 20 anos depois desde o primeiro esboço, beneficiando das circunstâncias atuais, que permitiram transformar a ideia em minissérie. É mais uma aposta da Netflix que tem encontrado na produção audiovisual espanhola um trunfo de peso que já vai bem além do sucesso de “La Casa de Papel”.

Luis Tosar surge aqui no papel Victor Genovés, um milionário que recebe um envelope lacrado, com uma mensagem tão educada quanto pormenorizada e assustadora. Genovés tem dez dias para vender ações da sua empresa e conseguir reunir 50 milhões de dólares. A ameaça vem de um grupo que se autointitula “os favoritos de Midas”. E é bem clara: se não pagar, uma pessoa escolhida de forma aleatória vai morrer.

O milionário é assim lançado perante um mistério mas acima de tudo um dilema: de um lado uma fortuna, do outro a vida de alguém que não conhece. Quanto vale a vida de um desconhecido?

A história original de Jack London já levantava o dilema, em modo de sobrevivência dos mais fortes. Essa ideia é transportada para a Madrid dos nossos dias, num clima de contestação social, onde por cada fortuna que cresce há milhares que veem o seu dia a dia cada vez mais difícil.

Em entrevista ao “El País”, o ator galego protagonista da série admite que não foi fácil encontrar a empatia e as justificações morais para a forma como a sua personagem se vai deixar enredar na história. “Mateo e eu procurávamos o tempo todo encontrar justificações morais para a personagem”, explica.

“Foi difícil para nós. Era difícil encontrar empatia para acompanhar este tipo. Foi um processo quase de investigação de nós mesmos, de saber até onde poderíamos ir se nos apertassem contra as cordas dessa forma”, explica. “Uma conclusão a que sempre chegámos foi que com o dinheiro de outra pessoa é muito mais fácil tomar decisões: pague os 50 milhões e pare com a chantagem. Mas quando o dinheiro pertence a alguém, os problemas começam.”

Além de Genovés, acompanhamos uma jornalista (interpretada pela atriz Marta Belmonte) com uma história em mãos que compromete Genovés. É ela na verdade a primeira pessoa que conhecemos na história, sentada ao ecrã, prestes a carregar em “publicar”, quando se vê obrigada a fugir.

Para Tosar, vencedor de três prémios Goya, e já conhecido do público português em filmes como “Cela 211”, havia aqui uma ambiguidade na sua personagem que valia a pena trabalhar, especialmente porque o próprio Genovés, com o passar do tempo, se vai ver obrigado a repensar quem é.

Curiosamente, a série encontra elos de ligação bem concretos ao nosso tempo, dentro e fora do ecrã. Não falamos apenas dos tais dilemas morais de um milionário mas do regresso ao ecrã de Guillermo Toledo, ator veterano que já ponderava o fim da sua carreira mas que voltou a ter aqui uma oportunidade, não sem alguma polémica.

O ator assumidamente comunista é também conhecido pelas suas posições laicas. A frase que publicou certa vez no Facebook sobre estar-se “a cagar para a Virgem” valeu-lhe um processo de setores ultra-conservadores mas também um recente apelo a um boicote. Toledo esteve quase uma década sem trabalhar em Espanha mas regressou agora, com “A Mão de Midas”, no papel de um inspetor. O boicote, está visto, não surtiu efeito.

“A Mão de Midas” conta com seis episódios de cerca de uma hora e um final que promete deixar algumas dúvidas no ar. Os seis episódios da minissérie já estão todos disponíveis na Netflix.

O mês de novembro continua a trazer-nos novidades ao ecrã. Carregue na galeria e descubra que séries estrearam ou regressam este mês e as que ainda pode esperar até ao final de novembro.

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