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A energia dos ritmos latinos espantou o frio na primeira noite do festival Jardins do Marquês

Os artistas Juan Luis Guerra, Los Romeros e Cristina Clara marcaram o arranque da quarta edição. A NiO esteve lá e conta-lhe tudo.
Juan Luis Guerra. Créditos: Jardins do Marquês

A quarta edição do festival Jardins do Marquês começou esta quarta-feira, 3 de julho, com lotação que estava longe de encher o recinto, mas com um público animado para ouvir e dançar as músicas vibrantes do cabeça de cartaz, Juan Luis Guerra. A New in Oeiras passou por lá e conta-lhe tudo. 

Depois das críticas às organização na edição de 2023 (pelas longas filas, pela demora em chegar aos lugares sentados no início dos concertos, pela falta de mais opções na restauração), parece-nos que o festival arrancou, em 2024, com algumas arestas limadas.

Por ser um dia de semana, apesar de as portas abrirem às 18h30, houve uma grande fatia do público que chegou perto das 20 horas, criando alguma extensão de fila para entrar no recinto, que ia avançando a bom ritmo. Já lá dentro, o espaço amplo permite uma boa distribuição das pessoas, que aproveitaram o relvado ou as cadeiras das zonas lounge para relaxar e conviver enquanto os concertos não começavam. 

A pontualidade é um dos pontos positivos deste festival. Todos os espetáculos arrancaram à hora marcada, cada um à vez, para não se sobreporem. Às 19h45, os Los Romeros estrearam o palco principal e aqueceram o público, que os acompanhou durante quase uma hora, com vontade, animação e energia.

O trio alentejano, composto por Paula Carapeta (vocalista), Alberto Pereira (guitarra) e Jorge Piedade (percussões), mistura diferentes géneros, dos ritmos latinos às sonoridades portugueses, com performances que fazem o público pedir “mais”, mesmo na hora de ir embora. 

Passava pouco das 20h45 quando a cantora portuguesa Cristina Claraque participou no Festival da Canção 2024 com o tema “Primavera” — subiu ao Palco Nortada, para apresentar o álbum “Lua Adversa”. Cantou para os fãs e para os curiosos que não a conheciam e foram atraídos pela sua voz, que os levou numa viagem por outras culturas.

O público mergulhou nos sons de Cabo Verde e do Brasil, num caminho que também passou pelas raízes minhotas da artista, a que se junta ainda o fado e a percussão tradicional. Cristina Clara cantou e encantou e só não conquistou mais público, porque muitos dos festivaleiros aproveitaram esse tempo para jantar (decisão que lhes roubou demasiado tempo, mas já lá vamos).

O público vibrou com o cantor dominicano.

Às 21h30 tocavam os primeiros acordes do concerto mais aguardado da noite. O cantor dominicano Juan Luis Guerra subiu ao palco, com a sua talentosa banda 4.40, para provar que, com 67 anos, ainda consegue pôr uma plateia inteira a dançar. Entre temas novos e canções que se tornaram imortais, o público assistiu fielmente ao espetáculo durante cerca de duas horas.

Entre os temas cantados pelo artista, os momentos de percussão da banda à qual não faltou alegria e energia durante todo o espetáculo, os jogos de luzes e as imagens digitais que pintaram o ecrã do palco ao ritmo das músicas, o concerto conseguiu manter a qualidade de forma constante do início ao fim — até mesmo mesmo quando, passado pouco mais de uma hora, o cantor se ausentou do palco durante alguns minutos, dando espaço à banda para brilhar.

Juan Luis Guerra conseguiu a proeza de aquecer a noite fria e ventosa que se fazia sentir na Quinta de Cima do Marquês de Pombal, com os ritmos latinos que não deixaram ninguém parado. Salsa, merengue, bachata e música folclórica caribenha embalaram o público, composto por muitos fãs da República Dominicana que não quiseram deixar de estar presentes para ver o seu conterrâneo ao vivo. 

Mal começou a tocar “Burbujas de Amor”, de 1990, um dos seus temas mais famosos, milhares de ecrãs levantaram-se para gravar aquele que era um dos momentos mais esperados da noite, num êxito que foi cantada em uníssono pelo artista e pelo público. Numa mistura de várias épocas da sua carreira, o concerto contou com temas de vários álbuns, como Bachata Rosa” (1990), “Ni Es Lo Mismo Ni Es Igual” (1998) e “La Llave De Mi Corazón” (2007), ou dos EP’s mais recentes, como “Privé” (2020) e “Radio Güira” (2023).

Antes do concerto principal, o público aproveitou para jantar. A zona da restauração — bem mais composta do que nas primeiras edições — tinha várias propostas gastronómicas diferentes. Entre elas o Hot Dog da Linha, o Epic Chicken, a Hamburgueria do Bairro, a Pizzaria Artesanal, o La Boca, o The Street Food Truck e, claro, uma barraquinha com churros e farturas. 

Há também vários bares no recinto (com imperial a 3€ ou 6€ consoante seja de 0,25 ou 0,50 litros, com o custo de 1€ por copo), além de stands próprios do Vinho de Carcavelos Villa Oeiras, do Licor Beirão, da Casa Ermelinda de Freitas e o The Fox Tale. 

O único problema: as filas e o tempo de espera. Demorámos cerca de 30 minutos entre posicionarmo-nos numa fila para fazer o pedido até conseguir ter a comida do nosso lado. Sabemos que, em festivais, há sempre um período de espera nestes espaços, mas ali significou perder grande parte de um dos concertos que estava a tocar. As filas eram grandes em todas as opções da zona de restauração, o que nos leva a pensar que, talvez, devessem existir mais food trucks. Se, num dia com lotação a meio gás foi assim, como será nas datas com maior número de público? 

Se vai ao festival num dos próximos dias, leia este artigo para saber os horários dos concertos e ter acesso a informação útil sobre o estacionamento, entre outros destaques. Até dia 10 de julho, vão passar por lá nomes como Stacey Kent e Danilo Caymmi, Adriana Calcanhotto, Kriol Kings, António Zambujo e Yamandu Costa, Patti Smith e Djavan, entre outros. 

À exceção de dia 7 de julho (data esgotada), ainda pode comprar bilhetes para os restantes dias. Os preços variam, consoante os artistas. Nos concertos com plateia sentada, no palco principal, os lugares são marcados (poderá sair do lugar para assistir aos concertos do Palco Nortada e voltar depois ao mesmo sítio). 

Carregue na galeria para ver imagens do primeiro dia do festival Jardins do Marquês. 

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