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A curiosa obra de arte que já é um fenómeno em Oeiras (e só fica completa com os visitantes)

Chama-se “União” e é um conjunto de figuras com três metros de altura, criadas pelo artista português Robert Panda. Instalação fica na Fábrica da Pólvora até novembro.

A nova obra de arte em Oeiras convida a que todos façam parte dela. Chama-se “União”, é a mais recente instalação do artista português Robert Panda e estará no Jardim da Caldeira dos Engenhos, na Fábrica da Pólvora, em Barcarena, até 17 de novembro.

À primeira vista, veem-se oito figuras com cerca de três metros de altura, de mãos dadas, a formar um círculo, mas a roda está incompleta. O espaço em falta foi deixado propositadamente para que os visitantes possam ocupá-lo e tornar-se parte da instalação.

A obra nasceu de um desafio lançado a Robert Panda no âmbito do Dia Internacional dos Museus 2026, dedicado ao tema “Museus a unir um mundo dividido” e foi a oportunidade perfeita para que o artista de 43 anos pudesse dar forma a uma ideia que já tinha guardada na gaveta.

A instalação foi construída em apenas um mês e meio, num processo intenso. “Foram milhares de horas sem dormir”, recorda. O resultado são nove peças interligadas, feitas com fibra e outros materiais resistentes, preparados para suportar o exterior e a interação constante do público. Apesar de estarem expostas apenas oito figuras, existe uma nona peça que foi retirada do círculo e pode ser encontrada logo à entrada do jardim.

“As pessoas gostam e vão muito ali tirar fotografias”, diz o artista. A instalação, inaugurada em maio, tem gerado bastante curiosidade em Oeiras e o destaque na comunicação local também não passou despercebido aos amigos. “Andam a chatear-me porque dizem que estou em todo o lado”, brinca.

O artista

O percurso de Robert Panda começou muito antes destas esculturas. Cresceu entre Lisboa e o Barreiro e iniciou-se no graffiti aos 14 anos, numa fase em que, admite em tom de brincadeira, a motivação era sobretudo “ser rebelde”. Durante anos pintou comboios e deixou a sua marca em vários pontos do mundo.

Entre 2003 e 2007 teve a Can Shop, no Bairro Alto, numa altura em que a street art ainda dava os primeiros passos em Portugal, um espaço ajudou a criar uma comunidade que começava a crescer. Por volta dos 30 anos, decidiu explorar novas linguagens, como a pintura e a escultura. Foi aí que nasceu “Os Estúpidos”, um projeto que se tornou uma das suas imagens de marca.

A ideia surgiu durante o período da troika, numa altura de forte crítica social. Inicialmente, o artista queria representar figuras políticas de uma forma mais agressiva, mas o conceito acabou por evoluir. As personagens tornaram-se mais universais e funcionam quase como um espelho do comportamento humano. “Acho que todos somos estúpidos de alguma maneira. Para o bem e para o mal”, explica.

Estas figuras, de formas simples e quase humanas, começaram a aparecer em espaços públicos e a despertar a curiosidade de quem passava. Muitas vezes integradas na paisagem, convidam à interação, uma característica que continua a ser central no trabalho do artista.

Nem sempre, porém, tudo corre de forma tranquila. Robert Panda recorda um episódio no Braço de Prata, em Lisboa, onde uma das suas esculturas foi vandalizada de forma “quase “cirúrgica” e ficou sem um pé. “Foi mesmo alguém descontente”, graceja.

Ainda assim, a peça foi recuperada e continua no mesmo local, intacta há mais de dois anos. “Não se pode agradar a todos.”

Robert Panda
Um dos “estúpidos”, em Marvila. Fotografia: José Pando Lucas

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Jardim Quatro Elementos da Natureza, Estr. Cacém 1
    2730-036 Barcarena

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