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“Tivemos pesadelos”. Banda oeirense Call Me estreou-se no Palco Heineken do NOS Alive

Vencedores do Oeiras Band Sessions, atuaram pela primeira vez num festival com originais sobre política, violência doméstica e crise da habitação.

Com André Nabais, no baixo, Francisco Alegrio, na guitarra, Ana Araújo (Ava), na voz, e Vicente Ribeiro, na bateria, os Call Me são uma banda de rock alternativo oeirense. Esta sexta-feira, 10 de julho, estrearam-se no Palco Heineken do NOS Alive, menos de dois meses após terem vencido o Oeiras Band Sessions 2026.

Para se prepararem, os ensaios intensificaram-se nas últimas semanas, com sessões diárias, nos Nirvana Studios. Por serem uma banda recente, sem um catálogo extenso, os Call Me tiveram ainda de trabalhar muito para preencher a hora de set que lhes foi atribuída, escrevendo temas novos e decidindo incluir duas versões no alinhamento.

André Nabais e Francisco Alegrio já trabalhavam no NOS Alive há três anos, como parte da equipa que monta os palcos do festival. Nunca tinham subido a um deles como músicos. Foi preciso Ana entrar para a banda, contam os dois entre risos, para que finalmente conseguissem tocar como artistas. Ver o Palco Heineken montado, na noite anterior, durante o concerto dos Alabama Shakes, foi o momento em que perceberam que, desta vez, seria diferente, conta André Nabais. 

Minutos antes de subirem ao palco, a banda falou com a NiO nos bastidores. Questionados se haviam dormido bem na véspera do concerto, revelaram ter tido alguns pesadelos. Francisco Alegrio sonhou que a banda se desfazia a meio do concerto. Já Ana Araújo que adormecia e ninguém chegava a tempo do espetáculo. Antes de subirem ao palco, têm um ritual “curioso”: dão uma chapada na cara uns aos outros, para libertar os nervos, revela Francisco Alegrio. “Uma chapada de leve, claro”, contam, entre risos.

Pontualmente às 16h30, os Call Me pisaram pela primeira vez o Palco Heineken. O concerto abriu com um vídeo projetado no ecrã do palco, antes de qualquer música tocar. Sucediam-se frases e manchetes sobre femicídios, violência doméstica, abusos policiais e o custo da habitação em Portugal. O vídeo terminava com um apelo direto à união do público, antes de a banda entrar em palco.

O alinhamento incluiu treze temas, na maioria originais, como “Black Pepper”, “Call Me Out”, “108”, “What You Deserve”, “House”, “Don’t Wanna”, “As Long As You’re There”, “Acting Strange”, “Little Ones”, “Final Boss” e “Open Bar Blues”. A banda tocou ainda duas versões, “Lights Out” e “Back to Black”, este último um clássico de Amy Winehouse. O resultado é um registo que mistura post-punk com pop-rock, que se pode ouvir no single de estreia, com letras que já não falam de amor mas sim de política, violência doméstica e crise de habitação.

Na plateia estavam familiares e amigos a dar apoio, entre eles Ramiro Ribeiro, de setenta e oito anos, e Isabel Ribeiro, de setenta e seis, avós do baterista Vicente Ribeiro. Não é a primeira vez que veem o neto tocar, mas é a primeira vez num festival deste tipo, conta Ramiro Ribeiro, para quem a emoção foi maior por isso mesmo. O casal costuma acompanhar os concertos do neto, apesar de os horários tardios dificultarem por vezes a presença.

Carregue na galeria para ver as fotografias dos bastidores e do concerto dos Call Me.

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