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R-Coat: a marca que cria roupa versátil a partir de tecidos de guarda-chuvas partidos

Na sua mais recente coleção cápsula, o projeto explora o mundo do activewear com peças para todos os momentos.
A nova coleção destaca-se pelas estampas exclusivas.

O mundo da moda tem vindo a perceber, graças a criativos emergentes, que existem poucos materiais que não possam ser usados como matéria-prima. O upcycling, ou seja, o reaproveitamento de desperdícios para criar novos artigo, é uma escolha bastante popular entre os designers da nova geração. Além de ser uma opção muito sustentável, é um forte apelo à criatividade e à exclusividade das peças de vestuário. Todos estes critérios são cumpridos pela R-Coat, uma marca nacional que faz da sua missão transformar os materiais de guarda-chuvas estragados em peças de roupa com um design contemporâneo.

A ideia partiu de Anna Masiello, 29, uma ativista e criadora de conteúdos sobre o estilo de vida zero-waste. Quando veio estudar para Portugal, começou a adotar um estilo de vida sem desperdício e rapidamente reparou que, ao longo do outono e o inverno, as pessoas deixavam os guarda-chuvas partidos na rua. O destino destes objetos tornou-se claro: acabariam em aterros sanitários ou seriam incinerados, contribuindo para o aumento da emissão de gases com efeitos de estufa.

Primeiro, começou por levar todos os guarda-chuvas para casa, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Quando percebeu que já tinha recolhido demasiados e sem saber bem o que lhes fazer, resolveu criar um casaco sem qualquer background no mundo da moda. Fez um protótipo a que chamou de R-Coat, com a ajuda de um vídeo no Youtube, e sem qualquer intenção de criar um negócio. O modelo agradou a muitas pessoas e as perguntas sobre o preço multiplicaram-se. Estava lançada a semente.

Yasmin Medeiros, de 31 anos, cruzou-se com Anna num segundo momento, num workshop de moda sustentável. Numa altura em que a jovem brasileira se mostrava desiludida face à indústria da moda, conheceu o projeto e percebeu que era um match. “Da noite para o dia, fizemos um photoshoot e, um mês depois, ganhámos um prémio. Percebemos que, de facto, era algo desejado. Foi a confirmação de que funcionávamos como uma boa dupla.”

Uma das ideias que sustenta a base comunitária do projeto são os pontos de recolha, onde as pessoas podem deixar os guarda-chuvas estragados. A partir daí e, seguindo o princípio do upcycling, são criadas peças em quantidades limitadas, com um design ecológico, funcional e com grande apelo estético. Foram, desta forma, conquistando ambientalistas, artistas e influenciadores na Europa e nos Estados Unidos.

O desperdício vira tendência

“A marca é muito ligada ao impermeável. Está conectada à chuva e, desde o princípio, assim que lançámos a primeira coleção primavera verão, quisemos mostrar que o guarda-chuva tem muitas funções”, diz Yasmin. Apresentaram um conjunto de peças focadas no activewear, “uma forma de relacionar a marca com ocasiões de liberdade”, provando que a roupa pode ser usada em muitos outros momentos além do desporto.

Feita com materiais de guarda-chuvas partidos recolhidos pela comunidade, o lançamento conta com set de calções, sweaters, casacos e bucket hats. A identidade da coleção distingue-se pelo seu “mood solar e livre”, misturando cores e estampas exclusivas que resultam em peças cheias de personalidade. Porém, o sonho continua a ser “comercializar um casaco feito 100 por cento a partir do guarda-chuva, até com os botões feitos com o metal do cabo e das varetas.”

Uma vez que nenhuma das cofundadoras é portuguesa, tentaram inspirar-se nas cores que marcam as suas origens brasileira e italiana. Além disso, procuram mimetizar a natureza e referenciar os ladrilhos portugueses, misturando várias influências que dão origens a padrões incomparáveis: “É uma criatividade muito fluida e emocional. Nós não somos designers de moda, tornámo-nos criadoras e tentamos trazer referências intemporais.”

Sobre o processo criativo, devido ao stock superior a mil guarda-chuvas, sendo que nenhum é igual, as ideias vão surgindo de forma orgânica. Desenham o artigo da forma como gostavam que fosse, mas por mais que recorram a um projeto prévio, na hora, o design é outro. “Os têxteis pretos e azuis são mais fáceis para fazer um casaco, mas até o material de guarda-chuva preto pode ser mais brilhante ou opaco”, exemplifica.

Concretizada a idealização, a produção é feita num atelier em Alenquer, com uma equipa pequena com cinco costureiras séniores. A produção artesanal é feita em pequena escala não só com a matéria-prima predileta, mas também com sobras industriais de uma fábrica no norte do País, como botões e etiquetas recicladas. 

“Conseguimos vender internacionalmente, valorizar a moda portuguesa com inovação e sustentabilidade. Este é o mercado do futuro e nós queremos virar referência trazendo não só através da produção nacional, mas da criatividade também”.

Para quem quiser adquirir uma peça, os produtos que variam dos 46€ aos 160€ em quantidades limitadas e estão disponíveis na loja online da marca. 

 

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