Com apenas 16 anos, Matilde Doroana começou a usar extensões. “Estava com anemia e nessa altura caiu-me muito cabelo, o que tinha estava fraco e partia-se com frequência. Afetou muito a minha autoestima”, recorda a jovem de 24 anos. A necessidade de encontrar soluções para o seu problema levou-a a criar um espaço que respondesse às suas necessidades e em 2025 abriu o Hush Hair Studio, em Miraflores.
O espaço surgiu devido à “falta de oferta em Portugal com extensões de qualidade” e com o objetivo de ajudar quem procura um serviço completo, seja por motivos estéticos ou por questões de saúde. O projeto arrancou oficialmente em novembro, mas a ligação de Matilde a esta área vem precisamente desde a adolescência.
“Quando estava na escola e comecei a ter queda de cabelo, fui-me informando e procurei sítios para pôr extensões, experimentei vários espaços e até diferentes técnicas. Depois entrei na Universidade Católica do Porto em Direito e mudei-me para lá, com 18 anos”, explica.
Nessa fase, Matilde voltou a sentir a dificuldade de encontrar um espaço de confiança, com um serviço à altura das expectativas. “É muito difícil encontrar um serviço de qualidade nesta área, porque é fácil as pessoas enganarem-te com cabelo falso e, como é caro, acaba por custar mais. Eu já passei por experiências assim e é mau porque mexe com a nossa autoestima”, acrescenta.
Enquanto estudava no Porto, fez muita pesquisa e frequentou cursos online. Treinava em cabeças de boneca e usava cabelos antigos que tinham sido extensões suas. “Fui praticando e aprendendo muito do tema, para saber o que gostava para mim, a opção mais saudável para o meu cabelo e os melhores métodos de aplicação.”
Quando voltou a Lisboa, depois de terminar o curso em 2023, percebeu que continuava a ser difícil encontrar um sítio “que fizesse exatamente o que queria” e notou que a oferta era escassa. Foi aí que decidiu criar o seu próprio espaço, onde pudesse cuidar do cabelo dos clientes tal como cuida do seu.
Com a ideia de oferecer um serviço premium, Matilde investiu na Hush Hair Studio com foco na colocação de extensões e em todo o processo envolvido, desde a escolha do fornecedor ao tipo de cabelo, passando pela adaptação de cada caso e o diagnóstico, já que nem todas as pessoas podem colocar extensões.
“Na Hush aplicamos as extensões, mas fazemos sempre um diagnóstico antes, somos um salão que quer explicar tudo aos clientes e perceber o que é melhor para eles. Por exemplo, pessoas com peladas não conseguem extensões, é preciso ter uma quantidade de cabelo necessária ou pessoas com o couro cabeludo irritado.”

É natural que surja quase sempre a dúvida se o cabelo é mesmo verdadeiro e qual a sua proveniência. Matilde garante que o usado na Hush é 100 por cento verdadeiro e vem do Brasil. “Só usamos cabelo brasileiro, é o melhor do mercado, tem o melhor toque, mais resistência, cheira melhor e tem o fio mais grosso.”
“O nosso cabelo vem diretamente das zonas rurais do Brasil, no interior. É muito comum as miúdas deixarem crescer o cabelo, sempre muito bem cuidado, depois cortam porque os fornecedores vão lá e pagam-lhes pelo cabelo”, conta. Apesar de recorrer ao fornecedor com regularidade, Matilde tem stock para imprevistos e “não é preciso nenhum tipo de tratamento”.
Quando o cabelo chega a Portugal, cerca de 200 gramas por extensão, Matilde realiza testes como alisamentos ou colorações, para garantir a qualidade. “A extensão é sempre da mesma pessoa, não juntamos cabelos diferentes”, garante.
Numa aplicação podem ser colocadas entre 80 e 360 gramas de cabelo. Os preços começam nos 500€. “A aplicação demora cerca de seis horas. Antes disso, já preparamos o cabelo para a cliente — se necessário alisar, fazer ondas, pintar ou fazer madeixas.” Cada aplicação dura cerca de dois meses. “Podem fazer tudo, é como se fosse o próprio cabelo. Devem ter cuidado com os alisadores e ao secar, mas de resto é igual.”
Matilde inspirou-se no Brasil, onde este tipo de serviço é muito comum. No entanto, o método que utiliza vem dos países de leste, como a Rússia. “Há vários métodos, uns mais rentáveis que outros, como a fita adesiva com cola de dupla face, ponto americano, amarradinhos com fios, onde amarram cada fio, ou até pontos micro screen com anilhas, em que costuram a extensão à volta da cabeça com anilhas.”
“Na Hush usamos o método que para mim é o mais saudável e o melhor, apesar de não ser o mais lucrativo”, explica sobre o método com aplicação de nano queratina, no qual é colada uma pequena extensão no cabelo da cliente. “Utilizamos queratinas pequenas, porque não pesa tanto no cabelo e não estraga, por isso é que demora mais tempo. Prefiro colocar 20 aplicações pequenas do que cinco grandes”, diz.
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O espaço tem 125 metros quadrados, aposta nas cores claras e num estilo minimalista. Apesar de ter um horário fixo, funciona apenas com marcação. “Tenho tido público entre os 26 e 35 anos, os motivos são mais pela estética, ou porque cortaram o cabelo muito curto e se arrependeram, ou devido a cortes químicos, por exemplo.”
Matilde acabou por transformar uma necessidade pessoal numa paixão e agora ajuda outras pessoas que também querem aumentar a autoestima. “Apesar de já não necessitar, ainda vou metendo. Aumentou muito a minha autoestima e já não me imagino sem elas.”
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