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FetuGata: nasceu em Caxias uma nova marca de peças feitas em crochet

É no Jardim de Caxias que, muitas vezes, Eugénia Teixeira encontra tranquilidade e inspiração para criar as peças do projeto.
O projeto da caxiense Eugénia Teixeira nasceu em março deste ano.

É verdade que a moda é cíclica e que algumas peças, ou materiais, que em certos períodos não atraem os consumidores, noutros tornam-se tendência. O crochet é exemplo disso. Há muito que deixou de ser uma arte associada apenas a pessoas mais velhas e se tornou numa atividade desenvolvida também por jovens talentosos e criativos. 

Em 2022 o crochet está na moda e multiplicam-se as peças de roupa e acessórios feitos com esta malha nos catálogos das mais variadas marcas. Malas, chapéus, vestidos ou biquínis, o crochet está em todo o lado e desperta paixões, seja nas fashion victims que fazem questão de utilizar este tipo de artigos, ou em artesãos curiosos que descobriram o prazer de trabalhar com agulha e linha para criar as próprias peças. É de um caso desses que vamos falar hoje.

Eugénia Teixeira, de 39 anos, não pegava em agulhas de crochet há quase 30 anos. Numa ida a um centro comercial, para comprar um presente de aniversário, viu o material exposto numa loja e, por brincadeira, decidiu comprar. Tentou lembrar-se da técnica que aprendera em miúda com a mãe e a avó, procurou tutoriais na Internet e começou a fazer peças por puro gozo, para passar o tempo.

“Quando era mais nova, a minha mãe fazia crochet e ensinou-me as bases. Também via a minha avó a fazer e aprendi com ela a pegar na agulha, experimentei algumas vezes até aos meus nove, dez anos, no máximo. Depois, esse gosto ficou adormecido, porque gostava de fazer, mas não tinha tanta paciência como hoje em dia. Foi uma paixão que ficou um bocado escondida durante cerca de 30 anos”, conta Eugénia.

O conjunto da malinha de criança (18€) com gancho (4€) a condizer é um sucesso com as miúdas.

Com uma agulha e um rolo de linha comprados, a primeira peça que produziu “para ver se ainda sabia fazer alguma coisa”, foi uma malinha para a filha de quatro anos. “Fiz-lhe uma pequena mala para ela levar a uma festinha de aniversário. O mais engraçado é que a mala fez imenso sucesso junto das amiguinhas dela da mesma idade e os pais dos outros miúdos incentivaram-me a fazer mais”.

Eugénia pôs mãos à obra e começou a criar algumas peças nos tempos livres, enquanto procurava aperfeiçoar a técnica, através de pesquisas online. Com o apoio e incentivo de família e amigos, esta atividade começou a ocupar-lhe cada vez mais tempo.

“Fui tendo desafios das pessoas mais próximas, que me pediam para fazer uma mala, um chapéu, porta-chaves, entre outras coisas. Fui fazendo à experiência conforme aquilo que me pediam. A nível familiar já me pediram, por exemplo, para fazer um cesto de pão, um porta-guardanapos e eu vou fazendo. Mas acho que aquilo que mais gosto de criar, puxando ao lado mais feminino, são as malas de senhora. Eu adoro malas e as minhas amigas também e é o que mais me têm pedido para fazer”, comentou a empreendedora. À NiO confessa um problema com o qual se depara quando termina as peças, “Apetece-me ficar com todas”. 

As malas grandes, com alsa e fecho de couro, custam 35€ e as mais pequenas no mesmo estilo, têm o valor de 20€. Outra proposta da FetuGata são também as waistbags que pode usar à cintura, a tiracolo ou ao ombro, com fitas ajustáveis, que custam 25€. As malinhas para as meninas são 18€.

Duas propostas da FetuGata: mala de senhora com fita fina (20€) e mala para telemóvel (12,50€).

As encomendas começaram a aumentar e Eugénia percebeu que o crochet era mais que um mero passatempo. Em março deste ano, decidiu oficializar a marca, a par com a sua profissão na área financeira. Eugénia formou-se em Economia no ISCTE e atualmente trabalha como fiscalista da TAP. A FetuGata nasceu na sequência de outro projeto que a caxiense desenvolveu na pandemia, chamado  “Não é gata mas tem garra”, para motivar as pessoas a fazer desporto e no qual desenvolveu camisolas solidárias para apoiar uma instituição.

“Foi um projeto para motivar as pessoas a mexerem-se naquela época da pandemia em que estávamos mais em casa. ‘Não é gata mas tem garra’, significa que não temos que ser todos perfeitos, ou todas bonitas, mas se tivermos garra, conseguimos chegar onde queremos e era essa a grande mensagem. E como muita gente me passou a conhecer como ‘a rapariga da gata’ e me associam à gata, quando comecei a divulgar os meus trabalhos em crochet, decidi manter a imagem da gata”, conta a artesã.

O nome é também uma homenagem às suas raízes africanas. “Quis puxar por Cabo Verde, que me corre nas veias, queria um nome que estivesse relacionado com o país, um nome em crioulo, daí o ‘feita gata’, que em crioulo fica ‘fetu gata’”, afirma com orgulho. 

Neste momento, a FetuGata faz peças por encomenda. Não faltam os chapéus, ideais para o verão, as capas de telemóvel, os porta-chaves, as malas de senhora e as malinhas pequenas a condizer com ganchos do cabelo, um conjunto que faz sucesso entre as clientes de palmo e meio. A artesã tem arriscado em experimentar novas criações, sempre com cores fortes, “É das peças com cores fluorescentes que as clientes mais jovens gostam mais”, revela. 

Os chapéus (15€) com cores fortes são uma das apostas para o verão.

O poder terapêutico das artes manuais

Mulher de vários ofícios e com uma energia contagiante, Eugénia não consegue estar parada. Talvez por isso, tenha sido tão difícil quando uma lesão no pé a obrigou a ficar mais tempo em casa, em Caxias, sem poder fazer corridas, que considerava a sua terapia diária. Talvez se perceba melhor a importância do desporto na vida de Eugénia, se lhe contarmos que a caxiense foi atleta na juventude. Praticava andebol e atletismo. Chegou a ganhar troféus desta modalidade em torneios locais. 

Com a mudança para teletrabalho, durante a pandemia, Eugénia sentiu que tinha mais tempo para cuidar de si e fazer exercício físico. Com a obrigação de estar parada, devido à lesão, decidiu que tinha que canalizar a energia para outra atividade que pudesse fazer em casa, sossegada, e que lhe ocupasse algum tempo livre. 

Ao redescobrir o gosto pelas agulhas e pelas linhas, Eugénia percebeu também o poder terapêutico das artes manuais. Uma forma de relaxar ao final do dia, onde o esforço mental da profissão na área financeira é substituído por uma atividade manual, quase como um momento de meditação que serve de escape à rotina diária.

Muitas vezes é fora de casa que Eugénia gosta de se dedicar à produção das peças. O Jardim de Caxias, onde mora, é muitas vezes o cenário que serve como um atelier ao ar livre. Enquanto os filhos brincam no parque, Eugénia deixa fluir a criatividade no crochet.

“Acaba por ser uma terapia porque posso fazer em qualquer lado. Enquanto os meus filhos estão nos baloiços ou nos escorregas, faço o crochet e acabo por rentabilizar o meu tempo”, garante a fiscalista, que deixa um conselho importante: “Passamos muitas horas ao telemóvel. Se contabilizarmos o tempo que passamos a olhar para este pequeno ecrã, é absurdo. Acabei por substituir e canalizar esse tempo para o crochet. Sou da área financeira, portanto aprendemos a rentabilizar tudo e o tempo, como sabem, é dinheiro. Por isso, acho que estou nas áreas certas, tanto pela paixão como pela profissão”.

Pode seguir a página de Instagram e de Facebook e falar diretamente com a criadora da FetuGata, caso queira uma peça exclusiva, feita em crochet, ao seu gosto.

Um porta-chaves (3€) feito manualmente, é único e original.

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