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Esta cerveja, feita por dois amigos, envolve aliens e já esgotou uma edição

Mais do que cerveja: a Sarrafusca junta sabores, banda desenhada e emoções numa história com muito estilo.

Dois aliens estavam perdidos no espaço quando descobrem o planeta Terra. Por cá, encontram um líquido milagroso que provoca diferentes emoções nos humanos, como a criatividade, a liberdade e o amor. Assim nasceu a Sarrafusca, uma cerveja artesanal produzida em Oeiras, associada à cultura da banda desenhada. 

Ricardo Queluz é técnico de som e, devido às inúmeras viagens de trabalho, começou a experimentar novas cervejas. “Tornou-se quase uma tradição experimentar uma cerveja diferente em cada país. Há cerca de 20 anos, quando houve a explosão das IPAs, apaixonei-me pela Brewdog e comecei a criar este hábito de procurar cervejas artesanais novas”, conta o oeirense.

Decidiu aventurar-se com um amigo, Nuno Pereira, para criarem a própria cerveja artesanal, dando início a um projecto diferente. “O Nuno já tinha estado envolvido na criação de outra cerveja artesanal e lancei o desafio. Como é realizador de cinema e eu técnico de som, percebemos que podia ser uma mais valia com a publicidade e os vídeos para divulgar o produto”, explica. 

O projeto arrancou há um ano e parte de dois conceitos fundamentais: o primeiro era associar a cerveja à cultura, mas algo que fugisse do mundo da música. “Sentíamos que todas as cervejas se associavam muito à música, então queríamos apostar num conceito diferente. Optamos pela banda desenhada,  não só porque sempre gostámos muito, mas porque nos fez sentido criar uma história que fizesse nascer a nossa cerveja, que é expressada através dos rótulos”. 

O segundo objetivo era mostrar que a cerveja artesanal não é apenas para um nicho de pessoas. “Queríamos desmistificar a ideia de que a cerveja não é boa e que dar a conhecer outros produtos às pessoas”, conta. 

A Sarrafusca foi criada em 2024 e tem sede em Oeiras. A escolha do nome surgiu através de um conceito bem português. “Foi a nossa 15ª escolha. Andámos às voltas para descobrir o nome que queríamos, mas surgiu sarrafusca, um termo que não está no dicionário, mas que, no norte do país, significa confusão e desacatos”. 

Apesar de ser produzida na Fábrica de Cervejas Portuense, no norte, as receitas são pensadas por Ricardo e Nuno. “Sabemos que o público das cervejas artesanais anda sempre à procura de coisas novas, por isso acabámos por nos inspirar em cervejas dos outros países”, confessa. 

E foi assim que nasceu a primeira Sarrafusca, intitulada “Liberdade”. Uma India Pale Ale (IPA), com um sabor mais amargo e um aroma marcante, com 5 por cento de álcool. “Outro conceito da Sarrafusca é produzir cervejas com menos teor alcoólico, que é um conceito mais inglês. Achamos que está na moda e queremos ser acessíveis a todo o público.”

 O rótulo da primeira cerveja, desenhado pelo ilustrador Pepedelrey, conta a história da descoberta dos aliens na Terra, da primeira emoção que o líquido milagroso (a Sarrafusca) provoca nos humanos: a liberdade. 

“Queríamos muito contar uma história e começou assim. Depois seguiram-se as outras emoções”. A segunda emoção é a criatividade, uma black IPA com 8 por cento de álcool. Desenhada por Nuno Saraiva, encontra-se esgotada. “Já estamos a produzir mais, esgotou em menos de um ano”.

A mais recente emoção, lançada há cerca de dois meses, é a Amor. Desenhada por Rita Alfaiate, nasceu com inspiração na Liefmans, uma cerveja belga. “Depois de a provarmos, percebemos que queríamos fazer uma parecida em Portugal, mas com um aroma diferente. Experimentámos o pêssego, porque a oferta de cervejas com aromas é sempre muito associada a frutos vermelhos, e adorámos”, afirma.

A Sarrafusca tem ainda outra garrafa, produzida em colaboração com a Rafeira, intitulada de Punk Rock. A cerveja tem influências da punk Ipa da Brewdog e segue a linha de rótulo em banda desenhada. Num futuro próximo, os dois amigos garantem que vão ter novidades. “Ainda este ano vamos lançar mais três cervejas, mas com outra história.”

As cervejas da Sarrafusca estão à venda em restaurantes, bares, cafés e mercearias. Em Oeiras, pode encontrá-las no Molhanga, no restaurante Sítio de Gente Feliz, no mercado de Oeiras no Era uma vez um talho e nos Nirvana Studios.

A marca vai marcando presença em diferentes feiras, sendo a próxima na Amadora BD, Festival Internacional de Banda Desenhada, no final de outubro. “Vamos ter uma banca com as nossas cervejas à pressão e estamos a preparar uma surpresa”, garante.

Carregue na galeria para ver fotografias das garrafas.

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