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Dois amigos apaixonados por desenho abriram um estúdio de tatuagens em Caxias

O Absurdo Tattoo Studio foi inaugurado no dia 25 de abril, com total liberdade de horários para as marcações dos clientes.
Guilherme Rodrigues e Bruna Saraiva são os responsáveis.

A Avenida Conselheiro Ferreira Lobo, em Caxias, conhecida pelas lojas de rua que ali se encontram, tem vindo a ganhar uma nova vida graças aos espaços de comércio que têm aberto nos últimos meses. Mais dinâmica, com mais movimento e, também, maior jovialidade, a verdade é que nesta rua se tem criado uma comunidade entre os lojistas que lá se instalam.

Há dois meses abriu mais um espaço que veio contribuir para esta dinâmica. O Absurdo Tattoo Studio foi inaugurado no dia 25 de abril, como um espaço criativo e livre, fazendo jus à data. Guilherme Rodrigues e Bruna Saraiva são os responsáveis, certos de que a liberdade é realmente a melhor característica para definir o estúdio.

Liberdade criativa, liberdade de horários, liberdade para que os clientes se sintam à vontade para, com eles, explorarem as ideias sobre as tatuagens que querem fazer. Para a maioria, passar da ideia à prática não é assim tão simples e o processo criativo de escolher um desenho, que passe determinada mensagem, e ter total certeza que se quer colocá-lo permanentemente na pele, nem sempre é uma decisão fácil.

“A maior parte das vezes, mesmo quando os clientes trazem ideias definidas, falamos sempre com eles antes, damos a nossa visão artística e às vezes tornamos o desenho ainda mais personalizado e os clientes gostam mais. Outras vezes, quando vêm apenas com uma ideia abstrata do que querem, desenvolvemos o desenho em conjunto, na hora. Tentamos sempre arranjar soluções”, conta Bruna. “É muito interessante essa fusão da mensagem e do desenho. E muitas vezes, com a nossa visão e sugestões, o resultado final fica ainda mais ao gosto dos clientes. Essa transformação é muito gira”, remata Guilherme.

Tanto Guilherme como Bruna começaram por tatuar neles próprios ou em amigos, que serviram de “cobaias” para que os dois pudessem ir aperfeiçoando os traços. Hoje em dia, já com mais confiança e experiência, os jovens destacam algumas tatuagens que os marcaram.

À New in Oeiras, Guilherme confessa ter gostado especialmente de duas que fez recentemente. “Fiz uma traça a uma amiga que inicialmente era para ser uma coisa pequena, mas ela confiava tanto em mim que acabou por se transformar em algo maior. Basicamente foi algo que se assemelhou ao trabalho que estou habituado a fazer com canetas e pincéis, então foi como se tudo se alinhasse e eu sentisse que estou no caminho certo.”

E acrescenta: “A outra foi a um rapaz que queria quatro cartas nas costelas. Era a primeira tatuagem dele, mas ele tinha problemas com agulhas, estava nervoso e não parava quieto. Era impossível traçar linhas retas, então tivemos que mudar um pouco o desenho na hora, ele estava aberto a isso, adaptámos e acabou por ficar ainda melhor e ele gostar mais. Ficou algo mais personalizado, mas foi um enorme desafio.”

Também Bruna conta, orgulhosa, o momento inesquecível quando tatuou pela primeira vez alguém que não conhecia. “A rapariga escolheu um desenho meu, um sol com três olhos Foi a primeira pessoa que confiou em mim sem me conhecer, sem saber o meu background. Foi muito marcante. Achei libertadora a ideia de alguém escolher um desenho na hora e fazer, sem pensar muito. Senti que foi um reconhecimento do meu trabalho.”

Um ponto importante com que pretendem diferenciar-se no mercado é o horário de atendimento. “A nossa ideia é ter um horário flexível. Pode estar afixado que temos portas abertas das 10 às 19 horas, mas na verdade estamos disponíveis para ir ao encontro dos horários dos clientes. Se quiserem marcar ao final do dia, depois de jantar, ao fim de semana, estamos abertos a isso”, garantem os responsáveis.

Dos desenhos para as tatuagens

Guilherme Rodrigues, de 32 anos, desenha desde sempre. Em pequeno rabiscava a própria pele, as paredes de casa e espalhava os seus desenhos um pouco por todo o lado. Estava já anunciado o seu futuro no mundo das artes e é precisamente essa a sua área de formação. “Estive um ano em Belas Artes, mas depois fui para as Caldas da Rainha, que tinha um ambiente mais livre, mais criativo, com o qual me identifiquei mais. Tirei Artes Visuais e depois fiz Artes Plásticas.”

Foi desenvolvendo a sua vertente artística com pintura e ilustrações e chegou a participar em algumas exposições coletivas. Mas o gosto pelas tatuagens, sempre latente, fê-lo decidir comprar online um kit que continha uma máquina de tatuagens e pediu à sua tatuadora para lhe dar umas aulas. “Fui começando devagarinho. Praticava muito em fruta, depois em mim próprio e a seguir a amigos.” Entretanto, foi trabalhar para uma loja no Oeiras Parque e foi lá que conheceu Bruna e imediatamente se tornaram amigos.

“O meu sonho sempre foi desenhar e pintar, desde miúda era isso que gostava e que me sentia feliz a fazer. Acabei por ir para Arquitetura, mas não terminei o curso. Comecei a trabalhar em lojas desde muito cedo, mas a vertente criativa sempre esteve presente, fazia montras, decorações e gosto de carpintaria e de construir coisas”, conta Bruna que, revela que foi ela que desenhou a primeira tatuagem que a irmã fez, assim como algumas da mãe, há cerca de dez anos, ainda longe de imaginar que se ia tornar tatuadora, mas já com esse bichinho presente.

“Quando conheci o Guilherme, ele tinha começado a juntar dinheiro para ter uma máquina de tatuagens profissional. Conseguimos, entre os amigos, oferecer-lhe uma para ele conseguir passar para o patamar seguinte. Nessa altura, ele deu-me o kit inicial dele no meu aniversário e comecei a experimentar em mim e nos meus amigos. Comecei novamente a desenhar mais, algo que gostava tanto e tinha deixado de fazer”, conta Bruna.

Acabaram por sair da loja onde trabalhavam e, juntos, decidiram que era a altura ideal para criar algo próprio. “Inscrevi-me num curso de tatuagens no Gato Negro, com um professor já experiente. Fiz a formação de tatuadora artística para termos o certificado no espaço”, revela Bruna.

O espaço

Com a decisão tomada de terem um estúdio de tatuagens, começaram à procura e rapidamente chegaram até ao espaço atual, pelo qual se apaixonaram logo. “Adorámos o espaço e o facto de ser uma loja de rua, não queríamos ir para centros comerciais. Ser perto da praia e de espaços verdes para nós era muito importante”, conta a jovem tatuadora.

“Vivemos os dois no concelho, por isso, queríamos algo perto já que não há muita oferta de tatuagens nesta zona. Tivemos cerca de um mês a recuperar o espaço e a pô-lo ao nosso gosto”, conta Guilherme, e Bruna acrescenta: “Casámos as nossas visões que são totalmente diferentes e tentámos conciliar os dois estilos num só espaço.”

A entrada é a sala onde recebem os clientes, onde trocam ideias e onde, além das tatuagens, Guilherme continua a dar asas ao seu trabalho artístico ligado à pintura. “Tinha muita necessidade de ter um espaço físico para pintar. Precisava de um sítio assim para conseguir trabalhar peças maiores e poder criar mais tranquilamente”. Bruna revela o conceito com que idealizaram o estúdio. “O espaço foi pensado para várias criações artísticas. É mais focado nas tatuagens, mas queremos que seja um sítio criativo.”

Até agora, a maior parte das tatuagens foram realizadas em amigos e conhecidos, numa network de pessoas que vai chegando até eles através do passa a palavra. Neste momento, estão a começar a dinamizar as redes sociais para chegar a um público maior. Pode seguir o Absurdo Tattoo Studio através da página de Instagram e também cada um deles através dos seus nomes artísticos: Bruna é Zima e Guilherme é Carpo.

Se está a pensar ir até lá fazer uma tatuagem, saiba que as mais pequenas custam 50€, mas cada uma terá um preço diferente consoante o trabalho com o desenho, o tamanho da mesma e as horas a tatuar. 

Carregue na galeria para conhecer algumas das tatuagens feitas no Absurdo Studio Tattoo. 

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Conselheiro Ferreira Lobo, 6A
    2760-030 Caxias
  • HORÁRIO
  • De segunda a sexta das 10h às 19h
  • Fora destes horários, por marcação.

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