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Atriz oeirense cria com a mãe marca de molduras florais em homenagem à avó

A Bi Flower nasceu em agosto, em Algés, e cria à mão molduras e espelhos com flores artificiais.

Em cima da mesa acumulam-se tesouras, cola e centenas de flores artificiais separadas por cor. É ali, numa casa em Algés, que Eileen Araújo, de 56 anos, desfaz ramos inteiros para depois os voltar a compor, pétala a pétala, dentro de molduras. Um negócio gerido em conjunto com a filha, a atriz Diva O’Branco, de 31 anos, que depois trata de as vender através das redes sociais.

O projeto chama-se Bi Flower e nasceu em agosto, embora a ideia já estivesse a amadurecer desde março, altura em que Isabel, a avó de Diva e mãe de Eileen, morreu. A filha e a neta decidiram que queriam manter viva a paixão dela por flores e avançaram com a ideia.

O próprio nome guarda uma ligação à avó. Bi vem de Bilina, o nome carinhoso com que Eileen se dirigia à mãe, e de Vobi, a forma como Diva a tratava em pequena. Para a atriz, a marca é também uma maneira de manter presentes a força, irreverência, paixão e alegria que definiam a avó. Para Eileen, compor cada moldura tornou-se uma forma de dar corpo à saudade e continuar a guardar memórias, tanto para a própria família como para quem leva uma peça para casa.

Cada moldura é feita à mão, flor a flor, com peças artificiais escolhidas por Eileen entre plástico e tecido, sempre à procura do aspeto mais real possível. O processo pode demorar um dia e meio por peça, entre desfazer as flores, criar a composição e esperar que a cola seque. Também aceita encomendas personalizadas a partir de fotografias enviadas pelos clientes, que Eileen tenta reproduzir noutros tons.

Além das molduras, a Bi Flower já vende espelhos decorados com a mesma técnica e Diva garante que há mais peças de decoração a caminho, embora as molduras continuem no centro do projeto.

Os preços da coleção base variam entre 14,90€ e 29,90€, consoante o tamanho da moldura, dos 10×15 aos 20×30 centímetros. Na versão premium, com uma composição floral mais preenchida, os valores ficam entre 19,90€ e 27,90€, com tamanhos até aos 15×20 centímetros. Escolher uma paleta de cores personalizada acrescenta 5€ ao preço e uma alteração total do padrão e das cores custa mais 10€.

As vendas são feitas sobretudo através do Instagram e as encomendas chegam aos clientes pelos CTT. Quando o destino fica em Oeiras, Diva prefere entregá-las em mãos. A família vive há 15 anos no concelho. Diva e a mãe já passaram pelo Restelo e pela Cruz Quebrada, perto do Jamor, e vivem agora em Algés, próximo de Miraflores.

Desde sempre que Eileen se dedica a trabalhos manuais. Foi cozinheira durante anos, especializada em entradas, uma área que já exigia sentido estético e atenção ao detalhe na apresentação dos pratos. Mais tarde, passou por escritórios antes de se dedicar por completo à Bi Flower.

A criatividade de mãe e filha já tinha dado origem a outros projetos. Numa viagem a Salvador da Bahia, quando Diva tinha 14 anos, a família trouxe cerca de 20 cestos de palha. Eileen decorou-os com flores e vendeu-os todos. Também fez colares, que acabaram por esgotar entre vizinhos e colegas de ginásio.

Diva também seguiu um percurso ligado às artes. Cresceu no colégio internacional St. Dominic’s, virado para as artes e o desporto, onde começou a fazer workshops de fim de semana a partir dos 13 anos. A bisavó irlandesa também deixou marca: cresceu a falar inglês em casa e tornou-se bilingue desde cedo. Decidiu que queria ser atriz e, entre 2014 e 2017, fez o curso profissional de representação na AMA e na ACT – Escola de Atores, em Lisboa. Em 2019, venceu o prémio de Melhor Peça de Teatro Profissional José Boavida, pela peça “A Cidade”.

Na televisão, passou por novelas como “Festa é Festa” e “Quero é Viver”, pela série “O Mundo Não Acaba Assim” e por “Rabo de Peixe”, da Netflix. Vai agora entrar na segunda temporada de “O Ruído”, série de Bruno Nogueira, com a estreia do episódio prevista para setembro ou outubro. Tem também carreira em Espanha, onde ficou agenciada depois de participar na coprodução “Mala Persona” e onde estreia em breve o filme “El Gusto del Cloro”.

Entre os trabalhos como atriz, muitas vezes em Espanha, e o novo negócio com a mãe, Diva tem uma rotina movimentada. É em casa, em Oeiras, que encontra alguma calma. “Sou muito feliz cá”, diz, acrescentando que tem muito orgulho em ter criado um negócio neste concelho, que está cada vez mais valorizado e continua a crescer.

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