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A marca de roupa que põe os miúdos (e os pais) de cravo ao peito

Chama-se O Cravinho e tem modelos a condizer para toda a família. A mensagem é clara: “Com a liberdade vamos mais longe”.
Tem modelos matchy matchy.

“Com a liberdade vamos mais longe.” Este foi um dos muitos ensinamentos que os irmãos Joana e Rui vinha aprenderam com os avós desde pequeninos. Em casa, sempre ouviram falar sobre a importância do 25 de abril e a data é sempre celebrada em família — seja na rua ou a passar a mesma mensagem aos mais novos.

No ano em que se completam as cinco décadas da data, os fundadores da marca O Cravinho voltam a inspirar-se na Revolução dos Cravos. A nova linha da etiqueta, criada em 2020, é composta por sweatshirts e bodies para miúdos dos seis meses aos seis anos, assim como modelos a combinar para adultos.

 A verdade é que após o lançamento, no início abril, as camisolas esgotaram em poucos dias. “Fizemos a reposição, voltámos a vender tudo e estamos a tentar restituir o stock novamente. São, de longe, os nossos bestsellers por causa do significado — e deixa-nos felizes que as pessoas os queiram vestir”, explica à NiT.

Em cada proposta estão gravadas frases de intervenção como “Em cada esquina um amigo”, “Florescer com liberdade”, “O amor é de todas as cores”. Há também palavras palavras de ordem como “liberdade” e “feminista”, um manifesto que tem ilustrações de artistas nacionais como Marta Nunes, Joana Molho, Sara Felgueiras e Joana Antunes.

Este ano, pela primeira vez, O Cravinho lançou uma sweatshirt com um cravo vermelho. O desenho surge acompanhado precisamente pela frase “com a liberdade vamos mais longe”. Até então, só tinham gravuras com o símbolo mítico noutras cores, mas decidiram dar resposta aos pedidos e, confessa Joana, “a aceitação tem sido incrível.”  

 
 
 
 
 
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“É muito bonito como a revolução se deu no nosso País para conseguir acabar com a ditadura”, aponta. No entanto, apesar do mote, reforça que apostam em outros estampados e temáticos com que as pessoas se identificam, passando sempre “uma mensagem de empatia e amor”.

Todas as peças são produzidas no norte de Portugal em 100 por cento algodão e 100 por cento algodão orgânico. O ponto de partida foi criar propostas unissexo para, lá está, apelar à liberdade — seja ela de movimentos ou de género.

“Fez sentido criar roupa que fosse fácil passar de irmãos para irmãos ou de primos para primos. Queremos que seja possível reutilizá-la”, acrescenta. “E tem que ser o mais confortável possível, graças aos tecidos, ao conforto das malas e dos botões. Os miúdos precisam desse bem-estar.”

A origem d’O Cravinho

O projeto era antigo, mas foi durante a pandemia que se deu o empurrão para maturar as ideias. Joana juntou-se ao irmão e ao marido, António, para avançar com as ideias que tinham na gaveta. A missão era simples: passar a importância dos valores do 25 de Abril a um público mais novo.

“Queremos passar uma mensagem diferente e isso é mais fácil desde pequenino”, diz. É difícil mudar as ideias de alguém em adulto, é mais fácil ensinar a amar e ser benevolentes quando somos pequeninos.”

Curiosamente, e apesar de a família dos irmãos já estar no ramo têxtil, essa não é a formação de nenhum dos três sócios. António é um antigo jornalista, Joana é fisioterapeuta e formadora, enquanto Rui formou-se em Economia. Mas a redução do número de encomendas na empresa dos pais foi um incentivo a explorar esta área.

A partir daí, decidiram escolher uma temática que pudesse distingui-los e com a qual se identificassem.  O 25 de abril deu o mote para a ideia, que depois derivou em O Cravinho, como diminutivo de cravo. “É o símbolo de uma revolução tão nossa, tão única, em que se deitou abaixo uma ditadura sem sangue”, acrescenta.  

Apesar do objetivo de se expandirem para o mercado europeu, já contam com muitos clientes fora do País. Em Espanha, o povo galego e catalão é um apreciador confesso da efeméride. Somam-se ainda encomendas que surgem de destinos como França, Holanda ou Espanha, com muitos clientes a elogiarem a revolução portuguesa.

Por enquanto, os planos de futuro passam ainda pelo lançamento de acessórios, como tote bags, com as mensagens que as pessoas mais gostam. “É importante serem utilizadas na rua e passar estes valores com um sentido tão português a quem está à nossa volta.”

E, apesar dos pedidos, o objetivo de terem um espaço físico em nome próprio ainda está em stand-by. No entanto, além de encontrar o catálogo online, todas as peças estão à venda na loja multimarca Little Daisy, em Penafiel, e na Assembleia da República, em Lisboa.

Carregue na galeria para conhecer algumas das peças mais vendidas d’O Cravinho.

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