O fio amarelo enrola-se à volta da bobina enquanto a máquina Pfaff avança ponto a ponto sobre um tecido da mesma cor. À volta, dezenas de carrinhos de linha ocupam uma parede inteira, organizados por tom.
É neste cantinho da Rua Cândido dos Reis, em Paço de Arcos, que Regina Mendes, de 50 anos, passa a maior parte dos dias desde 2010. E foi ali que se tornou na costureira mais requisitada do bairro.
Natural da Covilhã, Regina cresceu a ver a madrinha, modista, trabalhar na máquina de costura que tinha em casa. O gosto pela costura nasceu ali, mas a profissão só chegou mais tarde. Antes de abrir a loja, trabalhava num centro de estudos.
A mudança aconteceu quando viu o espaço para arrendar, na altura ocupado por uma loja de reparação de computadores, e decidiu arriscar. Vive em São Marcos desde esse ano e nunca mais saiu da esquina onde fica a Alfinete de Dama, junto ao Mercado e ao Jardim de Paço de Arcos, no centro histórico da vila.
Hoje, a loja recebe entre 50 e 60 clientes por semana e de forma incansável, assegura que “não fecha para férias em agosto”, ao contrário do que acontece com muitos outros comércios.
Os vizinhos confiam nas mãos de Regina, sobretudo para os pequenos arranjos e ajustes do dia a dia, desde bainhas e fechos a outros problemas que resolve com a agulha e anos de prática.
Ao longo destes anos, foi criando uma relação próxima com quem entra pela porta, muitas vezes à procura de uma solução rápida para uma peça de roupa estimada. É essa ligação que a faz continuar.
“Adoro tudo no meu trabalho, porque adoro o contacto com o público. Todos os meus clientes se tornaram meus amigos e é tão gratificante ver o sorriso, a alegria e até a admiração estampado no rosto deles quando vão buscar os seus trabalhos. Adoro a sensação de ter feito alguém feliz”, conta.








