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São Pires: há 40 anos a vender o peixe mais fresco no Mercado de Algés

A peixeira é umas das figuras mais icónicas do espaço. A NiO conta-lhe a história.
Que peixe prefere?

Costuma frequentar o Mercado de Algés? O mercado da fruta, dos vegetais, do peixe e dessas iguarias todas. Já conhece a São da bancada dos peixes? Sabia que a banca já vai na segunda geração? Falámos com ela e ficamos a saber tudo.

São, como é conhecida no mercado, é peixeira ou técnica de pescado. Conceição Pires, nascida e criada em Algés, tem 57 anos e, desde os seus dez, que anda pelos corredores do mercado a brincar e a fazer partidas com os outros miúdos.

Os pais, Mário e Maria Pires, já trabalhavam naquele sítio, mas cada um tinha a sua banca de peixe. Segundo nos contou São, inauguraram o mercado, como o conhecemos hoje em dia, na década de 50. “Antes disso era tudo em madeira, os alimentos estavam todos misturados, era uma grande confusão”, revelou à NiO.

Na banca de São há peixe de todo o tipo e mariscos, com um especto fresquíssimo, peixes grandes, pequenos, com diferentes cores. São comprados na lota ou a fornecedores e vêm para o Mercado Municipal em arcas congeladoras e são depois descarregados na banca da São.

O Mercado Municipal de Algés já faz parte da história da vila. Recentemente, em 2013, foi alvo de obras de requalificação para melhor servir os seus visitantes, mas sem nunca descurar o seu valor arquitetónico, tendo mantido a sua famosa fachada e belos painéis de azulejos da Fábrica de Faianças e Azulejos Sant’Ana.

Em 2015, voltou a sofrer intervenções, mas desta vez, para tornar o espaço hibrido, uma zona dedicada aos comerciantes antigos, onde os clientes podem comprar o peixe, a carne, os vegetais, as flores, entre outros e outra zona separada, embora no mesmo edifício, dedicada a refeições, com vários pequenos restaurantes, e onde pode também assistir a espetáculos.

Quando era miúda, São passava as férias no mercado, os pais estavam a trabalhar nas suas respetivas bancas, e o movimento era grande, sempre a entrar e sair clientes que se abasteciam ali, já que não havia os supermercados que existem atualmente. Trabalhava-se de sol a sol e nem se parava ao domingo. Conceição, e os seus amigos, não conseguiam brincar, sem que os funcionários da Câmara os viessem impedir e mandar para o exterior. Eram bons tempos.

Hoje em dia é bem diferente, já não existe movimento, os clientes entram e saem, uns levam umas frutas ou umas hortaliças, de vez em quando pedem a São para arranjar um peixe, mas já não é a mesma coisa. Não há movimento, como o de outrora. Agora, são só três peixeiras, mais umas quantas vendedoras de fruta, de legumes e de flores. Depois há o talho e uma loja de lacticínios.

São adora o bairro de Algés, gosta muito do seu trabalho e de estar ali, afinal foi no meio daquelas bancas que brincou e cresceu e, as recordações são muitas. Saiu há 20 anos da vila e tem a maior das penas, fala do bairro, que foi seu um dia, com um grande carinho.

A NiO perguntou-lhe o que diria aos leitores e a São, sem meias palavras, contou que “diria para visitarem o mercado porque a qualidade é muito boa. E acrescentou: “o Mercado não é apenas restauração, somos nós, que aqui estamos todos os dias, com o peixe, a fruta, os legumes, as flores, tudo o que há de mais fresco.”

Num tom mais exaltado queixou-se que, ainda há muitas pessoas, até mesmo da zona, que acham que o Mercado é apenas restauração, e julga que isso se deve a uma fraca comunicação por parte de quem de direito. Referiu também o facto de os jovens não terem o hábito de vir à praça: “a geração mais nova não vem, ou se vem não compra, porque já não é costume. Deviam vir mais”.

Conceição, técnica de peixe, é uma mulher muito despachada e contou que está sempre a sugerir e dar dicas aos seus clientes, que faz uma venda muito personalizada e que se cria uma boa relação, uma relação de confiança.

Adora brincar com os clientes, com aqueles que já tem confiança e lhe perguntam “Oh rapariga, o que tens aqui bom?” ao que São responde: “aqui tudo é bom”. A grande maioria da sua clientela vive em Algés, Cruz Quebrada, Dafundo e Alto de Algés. Tem clientes ainda do tempo da mãe que são os que melhor compram. ”Tenho ainda clientes que eram da minha mãe, e agora as filhas, são minhas clientes” contou à NiO. E os clientes que tem, quer estimar muito, e mantê-los sempre satisfeitos, porque são eles que a ajudam a viver.

Por fim, e porque estamos numa altura de festas, perguntámos a São quais os peixes que recomenda aos clientes que comprem para o Natal ou o que é mais habitual. São contou que nesta altura compra-se muito pargo, garoupa, dourada, robalo, peixes para assar no forno, como está muito frio. Vende também muito polvo e a raia. No Ano Novo e também no Natal, vende muito os mariscos, ameijoas e camarões.

O Mercado Municipal de Algés está aberto das 7 horas às 14h30, todos os dias. A banca do peixe só está aberta de terça a sábado. São já tem página de Facebook e site mas, se quiser falar com ela ou fazer alguma encomenda, o contacto é a moda antiga, 964 650 399.

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