Um dos restaurantes mais antigos de Oeiras foi remodelado e nem parece o mesmo. Ainda assim, a essência manteve-se, tal como a vista imperial que tanto o caracteriza. O ano de 2026 arranca como um marco importante na história do Saisa.
O famoso restaurante fundado em 1950, na praia de Santo Amaro de Oeiras, tem uma nova “cara” e foram precisos dois meses para ver a mudança acontecer num espaço que estava antiquado. “O antes e depois está brutal. Tínhamos uma sala que era muito conceituada nos anos 80, que nunca tinha sido mexida e precisava de uma imagem mais leve”, conta Pedro Costa, filho do atual proprietário.
“Quisemos transportar o mar e o sol para dentro da sala, que está mais clara, com um ar fresco e moderno. O espaço ficou acolhedor, agradável e moderno”. E era mesmo esse um dos objetivos de Pedro para o famoso Saisa: permitir que os clientes se sentissem bem e pudessem usufruir de uma boa vista numa das casas mais emblemáticas do concelho de Oeiras.
Ainda no interior, o balcão e a mobília foram totalmente renovados, bem como as casas de banho, que foram melhoradas e até a esplanada ganhou uma nova vida. “Manteve-se igual, em termos de disposição, mas temos novas cadeiras e mesas. No verão vamos ter toldos únicos e novos”, conta Pedro.
Como o objetivo era manter a base e essência do espaço, Pedro decidiu manter o menu. “Introduzimos apenas algumas carnes, mas a carta é a mesma. Funciona e os clientes gostam.” Servindo sempre os sabores espanhóis, como o polvo à galega e a paella, as propostas são à base de grelhados, sendo que pode optar por carne ou peixe fresco, como douradas, robalos, choco frito, marisco ou linguini de camarão.
“A nossa especialidade é, sem dúvida, a paella. Mantivemos a receita de origem, dos anos 50, e é aquilo que nos diferencia dos outros espaços, além da história, claro”.
O restaurante está aberto aos almoços, de terça-feira a domingo, das 12 às 17 horas. “A cozinha não fecha e os clientes podem almoçar a qualquer hora, dentro do possível. Conseguimos um bom espaço, com luzes quentes, para quem vem ao final do dia”.

A história do Saisa
O restaurante foi fundado na década de 1950 em Oeiras e, até hoje, é conhecido como o espaço que batizou à praia que o acolhe. Santiago e Sarrau deram vida ao Saisa, que na altura, com a criatividade característica da época, foi batizado com um nome que simbolizava a união dos dois no projeto. Nada melhor que “Sa y Sa”, as iniciais que compõem o nome de cada um.
Na década de 1950, existiam apenas dois grandes restaurantes perto da linha do mar: a par do Saisa, destacava-se o Mónaco, em Caxias. Em 1973, Raúl Costa, pai de Pedro, e o amigo Alonzo juntaram-se à equipa que geria o espaço e começaram a expandir ainda mais o restaurante. “O meu pai veio de Braga para Lisboa muito novo. Começou a trabalhar na Solmar, depois fez toda a carreira como chefe de sala, mas sempre com vontade de ter um espaço próprio. Juntou-se com um amigo, também espanhol, e pegaram no Saisa.”
Durante esses anos, foram muitas as personalidades que por ali passaram, desde políticos e jogadores de futebol, a figuras da cultura portuguesa, atraídas pela fama do restaurante. “Lembro-me de ser pequeno e de recebermos a visita de Mário Soares ou de João Pinto”, confessa, Pedro.
Raúl e Berta Costa assumiram a gestão do espaço em 1993 e, desde então, são os únicos proprietários do restaurante. “Os meus pais nunca mais quiseram desfazer-se disto. Mantiveram sempre o conceito do Saisa até aos dias de hoje”.
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