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“Sa i Sa” soa-lhe familiar? Restaurante mais antigo da costa de Oeiras nasceu há 75 anos

Uns dizem "salsa", outros "saísa". Afinal, qual é a origem do nome do restaurante que serviu personalidades como Mário Soares?

Foi fundado na década de 1950 e, até hoje, é conhecido como o restaurante que batizou à praia que o acolhe. Quem vive em Oeiras conhece bem o seu nome, mas o que muitos poderão não saber é a sua história e o que significa, afinal, a palavra Saisa. 

O percurso do restaurante mais antigo da costa oeirense começou quando dois amigos espanhóis se juntaram e decidiram abrir um espaço junto ao mar, estrategicamente localizado na Avenida Marginal, em Santo Amaro. Desde cedo que se destacou pela gastronomia ibérica, sendo a paella o prato que se tornou a especialidade da casa. Santo Amaro passou a ser paragem obrigatória por quem, na altura, tinha poder económico e procurava, além do marisco e peixe fresco, pratos “internacionais”.

Santiago e Sarrau deram vida ao Saisa. Na altura, com a criatividade característica da época, decidiram batizar o restaurante com um nome que simbolizasse a união dos dois no projeto e nada melhor que “Sa y Sa”, as iniciais que compõem o nome de cada um.

“É engraçado porque todos os dias há sempre quem nos dê um nome diferente. Já ouvi salsa e há quem meta um acento no i, que não existe. O restaurante tem tanto nome que a zona da praia à frente é chamada de Saisa”, conta Pedro Costa, filho do atual proprietário.

Na década de 1950, existiam apenas dois grandes restaurantes perto da linha do mar: a par do Saisa, destacava-se o Mónaco, em Caxias. “Na altura foi algo inédito, só havia mais um espaço como o nosso, e até tinha um conceito diferente.” Nessa época, o restaurante estava rodeado de rochas e situava-se abaixo da estrada da Marginal. 

Em 1973, Raúl Costa, pai de Pedro, e o amigo Alonzo juntaram-se à equipa que geria o espaço e começaram a expandir ainda mais o restaurante. “O meu pai veio de Braga para Lisboa muito novo. Começou a trabalhar na Solmar, depois fez toda a carreira como chefe de sala, mas sempre com vontade de ter um espaço próprio. Juntou-se com um amigo, também espanhol, e pegaram no Saisa.”

 

O restaurante na década de 50.

Durante esses anos, foram muitas as personalidades que por ali passaram, desde políticos e jogadores de futebol, a figuras da cultura portuguesa, atraídas pela fama do restaurante. “Lembro-me de ser pequeno e de recebermos a visita de Mário Soares ou de João Pinto”, confessa, Pedro.

Raúl e Berta Costa assumiram a gestão total do espaço em 1993 e, desde então, são os únicos proprietários do restaurante. “Os meus pais nunca mais quiseram desfazer-se disto. Mantiveram sempre o conceito do Saisa até aos dias de hoje”. 

Servindo sempre os sabores espanhóis, como o polvo galega e a Paella, as propostas são muito à base de grelhados e pode optar por carne, como pregos, ou peixe fresco, como douradas, robalos, choco frito,  marisco ou linguini de camarão. 

“A nossa especialidade é, sem dúvida, a paella. Mantivemos a receita de origem, dos anos 50 e é aquilo que nos diferencia dos outros espaços, além da história, claro”. 

O restaurante azul e branco junto à praia de Santo Amaro sempre atraiu uma clientela de classe média-alta, muito por causa do impacto que teve desde o início. No entanto, o espaço caracteriza-se por ser democrático e, reflexo disso, são também os planos para o futuro.

“Vamos fazer algumas obras no interior, porque está tudo praticamente igual há 50 anos. Além de modernizamos o espaço, vamos aproveitar melhor todo o edifício, incluindo a zona junto ao paredão, com pratos mais práticos e acessíveis, uma oferta mais simples”, remata Pedro.

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