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Os efeitos da pandemia: restaurante Hiroo encerra por tempo indefinido

A New in Oeiras falou com o proprietário Giscard Müller, dono de quatro espaços de restauração.
Restaurante de sushi.

Giscard Müller é proprietário de quatro espaços de restauração: dois em Lisboa, um no Estoril, e o Hiroo, em Oeiras. Aberto no dia 19 de agosto, o Hiroo é o “bebé que estava a crescer”. Porém, a pandemia do novo coronavírus levou-o a tomar uma difícil decisão.

“Como qualquer projeto que está a começar, o Hiroo precisava de muita atenção. Com as restrições impostas pelo governo por causa da pandemia, o seu desenvolvimento estava a tornar-se quase impossível. Acabei por decidir fechar portas”, explica Müller à New in Oeiras.

De acordo com o proprietário, as suas despesas fixas mensais eram de cerca de 3000€, sem contar com impostos e a comida que estava a ser desperdiçada. “Tive de despedir os meus cinco funcionários desse espaço, cancelei contratos de água e luz. Estou só a pagar a renda que é de 600€. Do ponto de vista empresarial, foi a melhor decisão, por muito que me custe. Não justificava estarmos abertos.”

Porém, este não é o único espaço do empresário em dificuldades. “Apesar dos meus outros restaurantes ainda funcionarem, não tem nada a ver com os outros anos. E eu não tiro 1€ desde março. Como é que vivo?”

Prezados amigos e clientes,Lamentamos informar que estamos com o Hiroo Oeiras fechado desde 14/11/2020 devido a…

Posted by Hiroo on Tuesday, November 17, 2020

Esta é a pergunta que muitos trabalhadores na área da restauração têm repetido nos últimos tempos. Giscard Müller pensa que as medidas de restrição impostas pelo governo à restauração são excessivas e que os apoios são insuficientes.

“Estas últimas medidas de encerrar aos fins de semana estão-nos a matar. E os 20 por cento das perdas que nos dão são ridículos. As contas deles estão certas, esse é realmente o valor das despesas fixas. Mas a maior parte de nós paga os dias mais fracos da semana com a faturação dos fins de semana.”

O outro restaurante de sushi do empresário, o Hanaya, que fica no Lumiar, costuma faturar 6000€ ao fim de semana. Porém, no sábado e domingo passados, faturou 200€ em take-away. “E agora, no dia 25, temos o IVA trimestral para pagar. Nós não vamos conseguir pagar. E a multa é de 30 por cento. Eu vou ter cerca de 10.000€ para pagar de dois dos restaurantes, que se irão transformar em 13.000€. Eu nem queria uma isenção. Só peço que deixem a restauração pagar o IVA e a TSU quando conseguir, e sem penalizações.”

Já no caso do Sabor & Arte, outro espaço do grupo, no mês de outubro costuma faturar cerca de 80.000€, este ano faturou 26.000€.

“Eu só peço que nos deixem trabalhar. No Spot, o nosso espaço do Estoril, costumávamos trabalhar até à uma hora da manhã. Até compreendo os fechos às 23 horas, mas deixem-nos fazer os almoços e os jantares todos os dias da semana. Somos dos locais que mais cumprem as regras de desinfeção. Não podemos continuar a sacrificar a economia.”

A equipa total contava com 26 pessoas, atualmente só existem 18 os funcionários. No Hanaya, por exemplo, todos os funcionários decidiram prescindir de 20 por cento do salário para manter dois postos de trabalho que teriam de ser dispensados. “A única coisa boa da pandemia é ver a solidariedade que se gera entre as pessoas.”

O empresário, que gostaria de ver apoios do governo mais substanciais, como planos de prestações para o pagamento de impostos, planeia reabrir o Hiroo algures entre março e maio. “Vou esperar que a pandemia passe.”

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