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O restaurante vegan onde Pedro Marques pede sempre carbonara fica em Oeiras

O político do PAN admite que só não leva os quatro gatos porque "não iriam achar piada" a sair de casa.
Pedro Marques vai lá pela carbonara.

“A carbonara é imperdível.” Sempre que vai ao The Den, em Oeiras, Pedro Marques não precisa pensar muito no pedido. O candidato ao Parlamento Europeu pelo PAN segue um regime alimentar plant based há cinco anos, por isso, a opção pode causar alguma estranheza. Na verdade, trata-se uma versão vegetariana do famoso prato italiano. 

No restaurante oeirense, fundado por Nuno Varela, em 2022, não entra carne, peixe ou ovos. O espaço é a primeira opção do político sempre que quer surpreender os amigos. “Torcem o nariz quando lhes digo que o jantar é no The Den. Mas, no final, saem sempre rendidos e até pedem para ver os ingredientes porque não querem acreditar que uma refeição tão saborosa possa ser vegan”, conta o político de 39 anos.

O proprietário confirma que Pedro Marques é um cliente que conhece bem: “Pede sempre carbonara”. Mas, afinal, qual é o segredo desta versão vegetariana que custa 10,90€?

A seguir ao eterno — e aceso — debate sobre a pizza com ou sem ananás, o spaghetti alla carbonara é o prato que mais enfurece os italianos. O motivo da discussão? A lista de ingredientes utilizados, claro. Leva alho ou cebola picada? Ovos ou molho bechámel? Natas ou crème fraîche? Bacon ou pancetta? Queijo mozarella ou parmesão? Salsa ou manjericão? Cada um escolhe a combinação que mais lhe agrada, o que enfurece os puristas que defendem a receita original.

Nuno Varela, chef e proprietário do The Den, poderá ser um dos alvos das críticas dos mais rigorosos — mas por uma boa razão. Tornou o prato italiano mais inclusivo, adaptando a receita a quem segue um regime alimentar vegan. “Usamos linguini como base, natas de soja e um processado de soja com um sabor muito semelhante ao do bacon. O queijo foi substituído por uma alternativa à base amêndoa e levedura nutricional”, explica.

A sugestão reflete a premissa que Nuno Varela definiu para o The Den: recriar pratos populares usando apenas ingredientes de origem vegetal. E, para os vegetarianos, parece ter resultado. A carbonara é um bom exemplo, mas demove Pedro Marques de experimentar o resto do menu, para infelicidade do responsável do restaurante.

“Tento sempre sugerir-lhe que prove outras especialidades. Às vezes consigo, mas a cada três vezes que cá vem, duas são para a massa”, revela o chef. A reação de Pedro Marques não surpreende o proprietário. “É o prato mais pedido desde que abrimos, não dá hipótese. Por mês vendemos cerca de 300 carbonaras, o que é um número elevado se compararmos com os 60 das especialidades menos pedidas”, justifica.

A carbonara.

Recuando a 2022, quando finalmente encontrou um espaço para abrir o The Den, Nuno Varela admite que este prato esteve para nem existir. “Sabia que queria incluir uma pasta, mas pensei sempre num esparguete com almôndegas. Só quando encontrei uma alternativa ao bacon realmente saborosa é que mudei de ideias”, conta.

Nuno Varela conta com uma longa experiência no mundo da restauração. Licenciado em Economia pela Universidade Nova, com mestrado em Economia Política no ISCTE e uma pós-graduação em Matemática Aplicada no ISEG, decidiu, há uns anos, ir viver para a Austrália e acabou por mudar de carreira. “Primeiro, comecei num fine dining, também trabalhei numa loja de artigos de cozinha, e em outros espaços como gestor de turno e depois supervisor”. Quando voltou para Portugal, esteve vários anos a trabalhar como gestor da loja d’A Padaria Portuguesa, na Parede.

A experiência foi essencial para delinear o projeto do The Den. O menu foi feito à base de experiências que pelo mundo e dos seus gostos pessoais. “A minha ideia foi sempre recriar os meus pratos favoritos sem recorrer à proteína animal”, explica, dando o exemplo da inspiração da carbonara e do hambúrguer ao estilo norte-americano. Mais do que agradar a vegans e vegetarianos, Nuno quer provar a quem come carne e peixe que há alternativas saborosas, sem recorrer aos ingredientes de origem animal. Para que ninguém fique perdido na ementa, fez uma breve descrição em todos os pratos com os produtos descriminados.

Aqueles que quiserem dar uma oportunidade às propostas do The Den, podem começar por um falafel com húmus (3,90€) ou uns croquetes com maionese de alho (3,50€). Nos pratos principais podem escolher o chilli de soja (9,90€) o prato de alheira (11,90€), ou o chicken madras (10,90€), que Nuno Varela levou ao programa MasterChef em 2014. Tem também a opção de fazer o seu próprio hambúrguer (10,90€), escolhendo a proteína que deseja, o pão, a combinação e o acompanhamento.

Para os que gostam de recriar os pratos dos restaurantes, podem passar pela pequena mercearia do espaço. “Fui buscar uma série de achados vegan difíceis de encontrar, como creme de chocolate, gomas, pão, leite condensado, maionese, bolachas, chá bio, e vinhos com selo vegan”, refere Nuno Varela. Pelo caminho poderá ser surpreendido pela Glória, a cadela resgatada pelo restaurante e que recebe Pedro Marques sempre “com imensa energia”.

Aproveite também para ler o artigo sobre as novas opções de brunch 100 por cento vegetal do The Den. E carregue na galeria para ver algumas imagens do espaço e dos pratos que pode provar por lá. 

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