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O “pior brunch de Oeiras” troca os ovos Benedict por croquetes de javali e cachorros de leitão

Miguel Garcia quis fugir às fórmulas habituais e criou um menu com caça, enchidos e sobremesas bem portuguesas.

O nome foi escolhido a dedo. “O Pior Brunch de Oeiras” é a nova proposta do chef Miguel Garcia na Cantina do Barão, em Barcarena, e a provocação é totalmente intencional. Numa altura em que todos querem criar “o melhor brunch”, Miguel Garcia chegou à conclusão de que muitos acabam por seguir a mesma fórmula. “Quero ser diferente, aceito essa categoria”, afirma.

Em vez de ovos Benedict, salmão fumado ou abacate, propõe-se um brunch construído de raiz com ingredientes, receitas e referências da cozinha portuguesa. A estreia está marcada para este domingo, 21 de junho.

O restaurante, que nunca tinha servido brunch, começa agora a fazê-lo, com base numa ideia nasceu de uma insatisfação pessoal do chef que, ao sair para tomar o pequeno-almoço ao domingo, encontrava sempre propostas iguais. Era tudo “mais do mesmo”.

“Como é que um país com uma das gastronomias mais ricas do mundo acorda ao domingo e acaba tantas vezes a comer exatamente o mesmo brunch que existe em qualquer outra cidade?”, refere. A Cantina do Barão já trabalhava pratos tipicamente portugueses e receitas pouco presentes na restauração contemporânea. Faltava apenas reuni-los num formato de brunch. “Fomos buscar identidade, tradição, coisas muito genuínas que as avós comiam”, explica o chef.

O menu foi pensado para ser rotativo, mudando ao longo do tempo. Por agora, a ementa é fixa e inclui, além de uma imperial e um prato de tremoços (as restantes bebidas são pagas à parte), chegam à mesa croquetes de javali – já presentes na carta e um dos sucessos da casa –, bifanas de porco preto, pregos de vaca velha maturada, cachorro de leitão, tostas de santola e Bolas de Berlim com creme de pastel de nata e leite-creme queimado na hora.

A seleção reflete a identidade do próprio restaurante. A Cantina do Barão tem nas carnes de caça uma das suas imagens de marca, herança do tempo em que o espaço dispunha de terrenos destinados à caça.

“Não temos nada contra ovos Benedict, salmão fumado ou abacate. Simplesmente achámos que também havia espaço para leitão, enchidos, caça, pão quente e sobremesas portuguesas”, refere Miguel Garcia.

À chegada, cada pessoa recebe uma imperial de boas-vindas e um prato de tremoços. As restantes bebidas são cobradas à parte. Para completar o ambiente de domingo, haverá fado ao vivo, com artistas diferentes todas as semanas.

Miguel Garcia garante que o objetivo não passa pela nostalgia. “Não é voltar atrás no tempo. É lembrar que já tínhamos uma gastronomia extraordinária antes de começarmos a importar o pequeno-almoço de vários continentes.”

O menu tem o valor de 29,50€ por pessoa e o brunch realiza-se todos os domingos, entre as 11 horas e as 15h30, na esplanada do restaurante, com disponibilidade limitada. As reservas podem ser feitas através do número 916 543 191 ou do Instagram da Cantina do Barão.

Quem é o chef Miguel Garcia, distinguido pelos leitores da NiO como Melhor Chef de Oeiras

Miguel Garcia tem 33 anos, cresceu no centro de Lisboa e chegou à cozinha de forma inesperada. Começou por trabalhar na sala, mas a curiosidade levou-o para os bastidores. “Tinha vontade de ir lá para dentro aprender”, recorda. Aos 20 anos, inscreveu-se no curso da Associação Cozinheiros Profissionais de Portugal e começou a trabalhar ao mesmo tempo que estudava.

Passou por vários restaurantes, sempre atento à aprendizagem. Aos 21 anos lançou-se com o chef Miguel Bértolo, com foco no sushi. Mais tarde, acumulou experiências na cozinha francesa, em restaurantes de hotel, até assumir, aos 23 anos, o primeiro cargo como chef, no italiano Pepe e Oliva.

Foi também nessa altura que começou a criar pratos próprios, muitos deles inspirados nas receitas da avó. “Ela gostava imenso de cozinhar e ensinou-me muitas coisas. O sonho dela era que eu fosse cozinheiro e, assim que comecei, senti logo que estava na minha praia.”

Aos 28 anos mudou-se para São Tomé e Príncipe, onde permaneceu durante quatro anos e meio como chef de quatro unidades hoteleiras. Regressou com uma nova perspetiva sobre a cozinha e a relação com os ingredientes. “Não tinha onde comprar os produtos. Aqui ia à Makro, lá tinha de ir às roças buscar os cabritos e os porcos, ainda vivos, também os legumes, quase tudo.”

As histórias curiosas eram frequentes. Entre elas, recorda um fornecedor de peixe que fazia as entregas através da bagageira do carro. De volta a Portugal, criou quase por acaso o projeto As Marmitas do Tio. Tudo começou quando preparava refeições para a mulher levar para o trabalho. As colegas começaram a fazer encomendas e, sem grande planeamento, nasceu um negócio. O conceito mantém-se até hoje, assente em marmitas caseiras com um toque mais sofisticado.

Atualmente, é na Cantina do Barão que Miguel Garcia continua a aperfeiçoar receitas e a surpreender os clientes. O restaurante abriu em novembro de 2025 e, poucos meses depois, o chef foi distinguido pelos leitores da NiO como Melhor Chef de Oeiras.

Miguel descreve o restaurante como uma extensão da história do próprio espaço. “O restaurante conta a história da Fábrica da Pólvora e do barão que aqui vivia. Ele gostava de receber pessoas, apesar de ser uma personagem forte e séria. A Cantina é a casa dele e quem passar por cá vai poder descobrir um pouco da sua história através do menu, da decoração e de outras surpresas.”

Entre essas surpresas está um veado de grandes dimensões que ocupa um lugar de destaque na sala e que se tornou numa espécie de mascote do restaurante.

A Cantina do Barão nasceu como cantina da Faculdade Atlântica e está hoje aberta ao público, integrada na Fábrica da Pólvora de Barcarena, um dos espaços com mais história do concelho.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Estr. Cacém 1, Fábrica da Pólvora de Barcarena
    2730-036 Barcarena
TIPO DE COMIDA
comida portuguesa

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