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O Kami Sushi regista perdas de 75% da faturação, mas encerrar “está fora de questão”

O dono do espaço de take-away e delivery na Cruz Quebrada, afirma à NiO que não gera receitas para pagar as contas.
Espaço especializado em sushi.

Divino dos Santos e Catarina André abriram o Kami Sushi em fevereiro de 2019, longe de sonhar que, pouco mais de um ano depois, o mundo iria mudar por causa de um vírus. O espaço dedicado à iguaria japonesa sempre funcionou como take-away e delivery, com apenas uma mesa para seis pessoas no seu interior, que chegava a servir dois grupos em turnos distintos a cada noite.

Em março de 2020, surgia o primeiro confinamento da população portuguesa, ao início de forma espontânea e voluntária. O negócio tremeu nos primeiros dias, mas registou um pico logo a seguir. “Fazíamos muitas entregas e sentimo-nos abençoados”, explica o proprietário, Divino dos Santos, brasileiro que chegou a Portugal há 11 anos e que confeciona o sushi deste espaço familiar.

No entanto, o pico não chegaria a durar tanto quanto o casal desejava, até ter mesmo começado a reverter-se. “Lentamente, a procura começou a cair e agora é terrível”, conta à New in Oeiras, com tom de preocupação. Três dos estafetas do restaurante foram dispensados por não haver trabalho suficiente, estando agora apenas um a fazer entregas.

“De resto sou eu e a Catarina que fazemos tudo. Há vários dias em que a minha mulher sai de casa às 6 horas da manhã e regressamos às 2 da madrugada.” Catarina André trabalha na secção administrativa do Hospital da Luz, uma das poucas áreas que não sofreu com a pandemia.

O casal tem dois filhos, uma de sete anos e um de um ano e meio. “É complicado. Agora que as escolas estão fechadas eu fico com eles aqui no restaurante, tenho uma sala com um sofá, uma mesa e algum material. A minha filha assiste à telescola e, à noite, ambos vão para casa da tia.”

Com tanto investimento da família, encerrar definitivamente não é uma hipótese. “Ainda não pensamos nisso. Senão seria perder tudo o que construímos nestes dois anos. É um negócio e um sonho de família”, confessam.

A faturação baixou entre os 70 e os 75 por cento e “não chega para pagar as contas”. O que faturam serve para comprar os ingredientes frescos que utilizam para se manterem abertos, porém, todos os pagamentos à Segurança Social estão em atraso há quatro meses.

“Os apoios que o Estado dá estão longe de ser suficientes. Ou melhor, são mal organizados. Não tivemos ajuda por causa deste atraso, afirmam que não estamos aptos. Mas se vissem, este atraso só aconteceu quando a faturação começou a baixar em 70 por cento”, refere Divino dos Santos, o proprietário de 35 anos.

O Kami Sushi fica no número 37A, da Rua Paulo Duque, na Cruz Quebrada-Dafundo, e abre de segunda-feira a sábado, entre as 12 e as 15 horas, e das 18h30 às 22h30. As encomendas podem ser feitas através dos números 215 891 071 ou 910 387 335. A entrega é grátis até seis quilómetros.

Da vasta oferta, existem alguns combinados imperdíveis, que vão dos 11€ aos 69€. Além disso, à segunda e quinta-feira, pode encomendar através do site e receber o dobro pelo preço de um. Se quiser variar, tem ainda muitas poke bowls para provar (8,90€).

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Paulo Duque, 37A
    1495-740 Algés
  • HORÁRIO
  • De segunda-feira a sábado das: 12:00
  • às: 15:00
  • e das: 18:30
  • às: 22:30
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Sushi

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