Se a carta deste restaurante pudesse ser cheirada, teria aromas a gengibre, cardamomo e canela a apurar em lume brando, com um toque final de coentros frescos. No Rana’s Twist, em Oeiras, os aromas chegam à mesa em pratos como o chana masala, o chicken tandoori ou o Rana’s Twist Biryani, que junta frango, borrego e camarão. O restaurante não é novo, mas é uma novidade no concelho: abriu em setembro de 2025, depois de uma primeira casa em São Domingos de Rana, inaugurada em 2023.
Ao comando dos tachos está Ranjeet Rana, de 50 anos. Natural de Uttarakhand, no norte da Índia, começou a cozinhar em 1995, ainda no país de origem. Depois, passou quase uma década numa cadeia de restaurantes internacionais na Alemanha, até que se mudou para Portugal há 13 anos e, desde então, esteve sempre à frente de cozinhas indianas.
É esta experiência que está na base da cozinha de autor do Rana’s Twist. O nome junta o apelido do chef à primeira morada do projeto, em São Domingos de Rana.
Os pratos vêm sobretudo do norte da Índia, onde os molhos são mais espessos e cremosos do que no sul do país e os lacticínios têm maior presença. O forno tandoor também tem um papel importante. Cilíndrico, feito de barro e aquecido a temperaturas muito altas, é usado para preparar pães como o naan e carnes marinadas em iogurte e especiarias.
Ao lado de Ranjeet está Sajina, de 36 anos, sócia e gerente do restaurante. É natural do Nepal, junto à fronteira com o norte da Índia. Os dois amigos conheceram-se em 2017, durante uma estadia de dez meses de Sajina em Portugal, através de um amigo em comum.
Voltaram a encontrar-se em 2022, quando Sajina se mudou definitivamente para Portugal. Antes da mudança, tinha vivido quase oito anos na Dinamarca, para onde foi estudar e onde acabou por trabalhar, entre outras funções, como supervisora de limpeza em supermercados. “Vivi lá quase oito anos, mas é um país com regras muito rígidas.”
“Em vez de voltar para o meu país, decidi arriscar novas oportunidades aqui”, conta. Ranjeet ajudou-a a instalar-se e deu-lhe trabalho no restaurante onde cozinhava na altura. Primeiro trabalharam juntos por conta de outros. Em 2023, decidiram abrir o próprio restaurante.
Sajina tem uma filha, que frequenta a escola em Portugal, e foi também a pensar nela que decidiu ficar no País. “A minha filha não queria voltar para o Nepal depois de conhecer este estilo de vida”, diz.
No Rana’s Twist, a iluminação é quente e o ambiente colorido e acolhedor. Um painel dourado em rede ilumina o espaço, onde também há bandeirinhas coloridas do budismo tibetano. Uma cabeça de Buda em pedra fica junto às garrafas de vinho alinhadas nas prateleiras.

As paredes verdes e o tijolo à vista contrastam com as cadeiras em veludo esmeralda e um balcão azul. Por baixo da palavra Namaste, duas mãos unidas num gesto de saudação dão as boas-vindas. Noutra parede, dois painéis mostram Rishikesh, cidade turística de Uttarakhand, o estado onde nasceu o chef.
A carta está dividida entre entradas, pães indianos, caris de legumes, frango, borrego e camarão, grelhados no tandoor e biryanis. Há propostas para quem procura picante e outras para quem prefere ficar longe dele.
O chana masala é o prato de assinatura da casa e custa 11,50€. Entre os biryanis, encontra-se uma criação do chef que junta frango, borrego e camarão a arroz basmati perfumado, por 15,50€. Nos caris, o butter chicken (12,99€) e os pratos korma são algumas das escolhas mais populares entre quem não gosta de picante. Podem ser de frango, borrego ou camarão e são preparados num molho cremoso de caju e leite de coco. São também os preferidos dos miúdos.
Nas bebidas, a ideia é juntar a tradição indiana ao gosto português. Nos vinhos, a casa sugere sobretudo produtores nacionais. Entre as cervejas encontram-se as indianas Kingfisher e Cobra (3,70€). Sem álcool, uma das opções é o mango lassi (4,50€), preparado com iogurte, polpa de manga, leite e uma pitada de cardamomo em pó.
Sajina conta que alguns clientes chegam com receio de que, por ser comida indiana, tudo tenha de ser picante. “Nós adaptamos ao paladar europeu e, se for preciso, servimos o picante à parte, para que cada um escolha a quantidade”, explica. “Por aqui, toda a família come muito bem.”
O butter chicken e os kormas estão entre os pratos mais pedidos por quem prefere não arriscar no picante. E, segundo Sajina, são também os favoritos dos miúdos.
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