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Não é bom eliminar os cereais da sua dieta — têm muitos benefícios

A nutricionista Bárbara de Almeida Araújo explica porque é que deve continuar a comer arroz, aveia, quinoa ou a espelta durante a dieta.

Aveia, quinoa, trigo, centeio, espelta ou cevada. Seja qual for o seu cereal favorito, é possível que tenha sentido o dever de o eliminar da sua alimentação no momento em que começou a dieta. Atualmente, principalmente por causa da quantidade de cereais refinados que existem, são vistos como os grandes inimigos de um estilo de vida saudável. Seja pelo glúten ou pelo açúcar que os refinados têm na sua composição, a verdade é que são cada vez mais as dietas que restringem o consumo destes alimentos.

Seguir uma dieta deste género implica restringir o consumo não só dos cereais com glúten mas também de outros alimentos, como o arroz ou a aveia. O arroz, por si, é isento de glúten, enquanto a aveia também existe à venda sem conter esta proteína presente em alguns cereais.

Mas até que ponto será saudável fazer uma restrição total deste tipo de alimentos? Segundo Bárbara de Almeida Araújo, nutricionista e autora do blogue “Manias de Uma Dietista”, há que perceber primeiro quais são os tipos de cereais que estamos a consumir e qual o estado do nosso organismo.

Estas restrições alimentares não são completamente necessárias para pessoas saudáveis”, explica a nutricionista. “Contudo, pessoas com problemas digestivos podem beneficiar desta abordagem nutricional.”

O que são cereais?

Estes alimentos, também chamados de grãos, pertencem à família das gramídeas. Os mais comuns são o trigo, arroz, milho, aveia, cevada, o centeio, a espelta e o sogo. Há também os chamados pseudo cereais como a quinoa, amaranto ou trigo sarraceno que pertencem a uma espécie diferente.

Alguns deles contém glúten, como o trigo, mas existem cereais, como a aveia, que consegue encontrar à venda em versões sem glúten. Já o arroz, é isento desta proteína. Além disto, os cereais são os responsáveis por fornecerem hidratos de carbono, vitaminas, minerais, fibra e proteínas ao organismo.

Qual é a diferença entre cereais refinados e integrais?

É provável que já se tenha cruzado com várias versões de cereais nos corredores do supermercado. Os integrais estão, normalmente, na zona da comida saudável, e há um motivo para isso.

“A diferença está sobretudo na quantidade de fibra e de outros nutrientes presentes no revestimento exterior dos grãos de cereais”, diz a especialista. “Os cereais refinados são mais pobres do ponto de vista nutricional e têm menos benefícios para a nossa saúde.”

Além disso, consumir com regularidade cereais integrais tem vários benefícios. Tome nota: diminui os níveis de colesterol, melhora o trânsito intestinal, controla os níveis de glicémia e reduz o risco de desenvolver alguns tipos de cancro, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Mas afinal devemos ou não deixar de comer cereais?

Apesar de muita gente optar por excluir os cereais da sua dieta seja porque quer deixar de consumir glúten ou apenas porque acha que é uma opção saudável, Bárbara Araújo não aconselha que o faça.

“O grande problema de cortar na totalidade com um grupo de alimentos tem a ver com o facto de a maioria das pessoas não conseguir fazer uma alimentação equilibrada”, diz a nutricionista. “Desta forma, correm o risco de não obter alguns nutrientes que são essenciais para nós.”

No entanto, isto não se aplica a toda a gente. Há especialistas que defendem a restrição do consumo de cereais como benéfica, mas só para pessoas que apresentem problemas a nível digestivo. Para quem tenha doença inflamatória intestinal, por exemplo, isso pode ajudar a reduzir alguns dos sintomas.

Por isso, já sabe: se for saudável, o melhor é continuar a cumprir à risca as indicações da Roda dos Alimentos e comer entre quatro a 11 porções de cereais por dia, mantendo uma alimentação equilibrada.

Opte por cereais integrais em vez de refinados e por alimentos mais ricos em fibra, vitaminas e minerais como a quinoa, o trigo sarraceno, a espelta, o bulgur, a aveia e o arroz integral.

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