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Madalena vende bolas de Berlim em Santo Amaro há 44 anos: “Num dia bom chego às 200”

Durante o inverno, vende castanhas junto ao Palmeiras, mas gosta mais de andar pelo areal a anunciar "as bolinhas de verão".

“Num dia bom chego a vender entre 200 a 250 bolinhas, só na Praia de Santo Amaro”, revela Madalena Ramos à NiO, que começou a vender bolas de berlim em Oeiras quando tinha apenas 20 anos. 

“Quando casei com o meu marido, Manuel Ramos, que era aqui de Santo Amaro, ele já tinha um restaurante na praia. E, nos anos 80, já lá vendia bolas e gelados durante o dia. Decidi juntar-me a ele no negócio e começamos a criar este legado”, conta Madalena.

Com construção do Passeio Marítimo, nos anos 2000, o restaurante, que ficava mesmo junto à praia, na zona de passagem pedonal do paredão, foi demolido. O casal passou a dedicar-se exclusivamente à venda das bolas de Berlim, negócio que ainda mantêm.

“Nessa altura, há 22 anos, vendia uma bolinha por 25 tostões, preço que hoje nem chegava a um euro”, confessa.  O marido morreu em 2021, mas Madalena quis continuar a fazer aquilo que mais gosta. “Resolvi continuar, por ele e porque amo o que faço. O meu filho Jorge juntou-se a mim nos meses de verão, e seguimos juntos,” explica.

Apesar de viver em Tires, Madalena tem uma forte ligação com Santo Amaro e afirma só sair desta praia quando for para deixar de trabalhar. “Só me faz sentido nesta praia. Não faço mais nenhuma. Já estou na terceira geração das bolinhas, vendia aos pais, aos filhos e agora já vendo aos netos.”

Embora viva em Tires, mantém uma ligação profunda a Santo Amaro, e garante que só deixará a praia quando deixar definitivamente a atividade. “Só me sinto bem aqui. Já vou na terceira geração de clientes, comecei a vender bolinhas aos pais, depois aos filhos, e agora aparecem os netos.”

Atualmente com 64 anos, não tenciona deixar reformar-se tão cedo. “Adoro o meu trabalho, interagir com as pessoas. Divirto-me, e os habituais já me conhecem bem.”

A rotina de Madalena 

Durante o verão, acorda às 5h30 e, por volta das sete, dirige-se a Vila Fria levantar “as bolinhas do dia” ao fornecedor, parceiro há mais de 15 anos. Chega à praia por volta das nove e vai fazendo “piscinas” até às 13 horas. O almoço é sempre perto da estação de comboios, “à sombra”, e regressa à praia por volta das 14h15, para continuar as rondas pelo areal até ao final do dia.

“Costumo sair da praia perto das 19 horas, ou antes, se conseguir vender tudo. Num dia bom ,chego a vender mais de 200 bolinhas. O maior pedido que já tive foi uma família que me pediu 15 de uma vez, foi muito engraçado”, recorda. 

As bolas de Berlim da Dona Madalena, como é conhecida pelos clientes habituais, custam 2€ e estão disponíveis em quatro sabores: com creme, sem creme, chocolate e alfarroba. 

“Não acrescento mais sabores para não ter que aumentar o preço. Simples e bom é o meu lema”, sublinha.

De maio a setembro, Madalena Ramos percorre o areal todos os dias, a anunciar o seu produto com o icónico pregão, “Olhá bolinha”, a menos que a meteorologia não colabore.

“Só não venho em dias de chuva, e, às vezes, faço figas para ver se o tempo fica pior para poder descansar um dia”, confessa. 

Durante o inverno, muda de localização e de produto. “De outubro a março, estou à frente do centro comercial Palmeiras a vender castanhas, com a minha locomotiva. A seguir, faço uma pausa de dois meses, de março a maio, para preparar o regresso das bolinhas à praia”, acrescenta.

Carregue na galeria para ver algumas imagens de Madalena Ramos em ação.

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