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Inflação chega à ceia de Natal: preços do bacalhau e azeite põem tradição em causa

Os ingredientes clássicos da Consoada dos portugueses estão cada vez mais caros e obrigam a rever o orçamento familiar.
A refeição vai ficar mais cara.

Vai ser um ano desafiante no que toca à tradição de Consoada de muitas famílias. A escalada dos preços de vários ingredientes-chave da ceia de Natal, vêm dificultar as contas dos portugueses. O azeite começou a subir em 2022. Em 2023, atingiu valores recorde — tendo aumentado 90 por cento neste último ano. Atualmente, custa, em média, 10€ por litro. Aumentou quase o dobro em comparação ao ano anterior. 

Os motivos para a inflação da gordura mais consumida do País são vários. Em primeiro lugar, é importante ter em conta as alterações climáticas. A chuva e o vento excessivos e fora de tempo prejudicaram fortemente a produção, o que se reflete no preço para o consumidor final.

Além disso, há uma década que o azeite português tem sido alvo de enorme interesse além-fronteiras, levando vários produtores a vendê-lo para Espanha e Itália por valores mais altos, criando uma escassez nacional.

Espanha (o principal produtor mundial) registou quebras na produção superiores a 50 por centro e, na União Europeia, foi o país onde o preço do azeite mais subiu, alcançando os 112 por cento relativamente ao último ano. Os agricultores espanhóis encontram-se numa situação complexa, pois acreditam que os custos de produção foram os mais elevados de sempre.

Outra “grande preocupação”, como descreveu o Presidente da Direção da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro, Francisco Pavão, à TSF, está relacionada com a venda de “gato por lebre” na Internet. Aliás, há óleo alimentar com corante a ser vendido como azeite nas redes sociais, como já lhe contámos neste artigo.

Muitos anúncios publicitam azeite “a preços de antigamente”, explica Pavão. “As pessoas vão atrás do preço e acabam por consumir algo que não é azeite”, sublinha.

O presidente da Cooperativa dos Olivicultores de Murça, Francisco Vilela, detalhou algumas das práticas utilizadas pelos burlões. “As pessoas estão a comprar cinco litros de óleo de bagaço, que valem 8,5€, mas são vendidos como azeite a 25€”, revela. Trata-se de óleo alimentar “extraído de forma química” e, embora possa ser utilizado para fritar, “não é tão bom para a saúde”.

Como se não bastasse, também o bacalhau está mais caro, tendência que se começou a registar em 2022 e veio para ficar. O caso do bacalhau é semelhante ao do azeite, embora a inflação não seja tão flagrante. Em 2022 aumentou 20 por cento — na ordem dos dois euros o quilo.

Este ano, a situação parece repetir-se. Os comerciantes ainda acreditam que os portugueses vão fazer o esforço de apresentar o típico prato à mesa, apesar de ser um peixe que facilmente ultrapassa os 20€ por quilo.

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