Olibriglea. O nome parece um trava línguas. Ou uma sobremesa francesa com excesso de consoantes. É, na verdade, algo muito mais pessoal. Trata-se de uma das mais conhecidas pastelarias de Queijas, cujo nome nasceu da combinação de Olivia, Brigitte e Lea, respetivamente sogra, mulher e filha de Miguel Ângelo, 50 anos, o pasteleiro responsável pelas massas folhadas e cremes de pasteleiro que todas as madrugadas ajudam a fazer croissants dourados, éclairs brilhantes e macarons alinhados como pequenas joias.
A Olibriglea abriu portas em 2021 e desde então tem sido um ponto de paragem obrigatório para quem aprecia pastelaria com inspiração francesa, portuguesa e até suíça, uma combinação que é o reflexo direto do percurso dos fundadores. Brigitte Rodrigues, 52 anos, nasceu em Paris, mas regressou a Portugal com apenas sete anos. “Os meus pais eram emigrantes em França, mas nos anos 80 voltaram para a casa que tinham em Queijas”, conta à NiO.
Fez toda a vida pelo concelho de Oeiras e trabalhou durante 28 anos na área de produtos químicos para a construção. Já Miguel fez o caminho inverso, nasceu em Portugal, mas com apenas um ano foi viver para Paris com os pais. Começou a trabalhar aos 20 anos na área da restauração e foi aí que tudo mudou. “Ele estava num restaurante em Paris que tinha uma vertente de pastelaria, a certa altura precisavam de reforçar essa área e desafiaram-no: e foi assim que começou a paixão pela pastelaria”, explica Brigitte.
Miguel formou-se em pastelaria em França, onde trabalhou cerca de 20 anos. Mais tarde decidiu apostar em “culinárias mais específicas” e seguiu para a Suíça, onde tirou formação em chocolate. “Ficou lá 10 anos a trabalhar e aprender”, acrescenta. Ao fim de quase três décadas fora, regressou a Portugal há cerca de seis anos, com vontade de voltar ao país onde nasceu. Foi nessa altura que conheceu Brigitte: “Juntamo-nos em 2020 e ficamos a viver em Queijas”.
Durante a pandemia, o casal começou a pensar num projeto próprio. “Como eu também gosto muito de cozinhar e da gastronomia francesa, decidimos criar uma pastelaria com fabrico próprio e uma oferta diferenciada”, explica. A escolha do local foi óbvia. “Decidimos procurar um espaço em Quejias, para ficar perto de casa, sendo que o Miguel começa a produzir às duas da manhã, e porque na zona não havia muita oferta de pastelarias e com uma oferta como a nossa.”
Quem entra na Olibriglea percebe rapidamente que ali há atenção ao detalhe. “Quisemos apostar na gastronomia francesa porque era a formação do Miguel, mas também leva muito menos açúcar e acaba por ser mais saudável”, explica Brigitte.
Os croissants são presença obrigatória: há o simples (1,85€), o de chocolate (2,10€) e o bestseller de amêndoa (2,30€), que leva creme de amêndoa caseiro e “um ingrediente especial”. Os muffins (2,50€) também têm lugar cativo na montra e conquistaram os miúdos da zona. Há os clássicos, de chocolate, limão ou laranja, mas também combinações diferentes como ananás e menta, caramelo salgado, redvelvet ou cookie.
Mas se há produtos que fazem da Olibriglea um verdadeiro paraíso, são os éclairs (3,20€), disponíveis em formato normal ou miniatura (1,20€), com recheios de baunilha, chocolate ou frutos vermelhos. E, claro, os macarons (1,25€), alinhados em várias cores e sabores, que dividem atenções com os choux (2€) e os brigadeiros (1,35€).
Há ainda uma tarte de limão merengada (3,50€) e para quem prefere outra opção, a tarte de maçã (3,50€) que é feita com ruibarbo. Mas a tradição portuguesa também marca presença. Há bolo de arroz (1,35€) e empadas especiais. “Fazemos uma ‘almofada’ de lasanha (1,70€), envolvemos na massa folhada carne à bolonhesa e fica um salgado saboroso e miniatura: os miúdos adoram”, garante.
Outra especialidade é a torta de pate uncouth (25€/quilo), que “é um patê campestre, feito com carne de porco e envolvido em massa folhada que vai ao forno”. Pode ser servida como refeição ou como entrada.
Além da pastelaria, o espaço também produz pão próprio, ente bôlas da casa (0,40€), as tradicionais carcaças portuguesas e pães maiores. “O que sai mais é o Azteca (1,65€), que leva 50 por cento de farinha de milho com sementes de chia e girassol”.
À hora de almoço, a Olibriglea funciona quase como um pequeno restaurante de bairro. Há um menu (13,90€) que inclui sopa, prato, bebida e café, ou pratos do dia entre 9,50€ e 10€. “Vamos rodando os pratos para não termos menus fixos, só a sexta-feira é que a lasanha é sempre o prato do dia”, explica. Entre as opções encontram-se bifes de frango à parmigianna com tomate e queijo mozarella, bacalhau com natas, bifinhos de frango com limão, filetes de pescada, peixe frito e arroz de pato.
O espaço tem 75 metros quadrados, dos quais 40 são dedicados à produção, que é o verdadeiro coração da casa. No interior há apenas uma mesa alta corrida com dois lugares. Lá fora, a esplanada acomoda até 20 pessoas.








