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Há 12 anos que esta tasquinha familiar em Paço de Arcos serve petiscos feitos com amor

Ana e Miguel não tinham experiência na restauração, mas criaram uma casa de petiscos onde os produtos das suas terras têm lugar à mesa.

O chá gelado que chega à mesa na Tasquinha da Vila é feito todos os dias com ervas colhidas horas antes no quintal da casa que a oeirense Ana Cabral e Miguel Campos construíram em Outeiro de Polima. Este é um dos pequenos sinais de que o conceito inicial do espaço continua a ser intocável: 12 anos depois, quem manda são as raízes.

A tasquinha em Paço de Arcos abriu a 4 de abril de 2014, fruto de um desvio de percurso que nenhum dos dois tinha planeado. Miguel nasceu em Moçambique, mas veio ainda criança para Oeiras, terra onde sempre viveu, e formou-se na Escola Náutica depois do liceu de Oeiras. Engenheiro eletrotécnico de profissão e prestes a completar 54 anos, viu a empresa onde trabalhava fechar portas e ficou no fundo de desemprego.

Ana nasceu e cresceu em Oeiras, estudou na Marquês de Pombal, tirou uma licenciatura em Marketing e Publicidade no IADE e, anos depois, uma licenciatura em Exercício e Saúde na FMH. Nenhum dos dois tinha qualquer ligação à restauração.

Foi nessa pausa forçada que Miguel decidiu tirar o curso de cozinha na Escola de Hotelaria do Estoril, já perto dos 40 anos. Sempre foi uma pessoa ativa, que não gostava de estar parada, e cozinhar e receber pessoas em casa era algo que já fazia por gosto muito antes de pensar nisso como profissão. Seguiram-se estágios em Lisboa, no Chapitô, e em alguns hotéis da zona do Estoril. Ana continuou a dar aulas de exercício físico.

Os horários opostos das duas profissões tornaram-se um obstáculo difícil de gerir em casal e foi então que o sonho antigo de terem um espaço só deles, bonito, acolhedor e onde amigos e família se sentissem em casa, começou a ganhar forma como solução.

A procura por um espaço na zona de Oeiras ou na linha de Cascais não foi fácil. Nenhum dos dois queria ir para Lisboa. O local que acabaria por se tornar a Tasquinha da Vila apareceu por acaso, num anúncio na Internet. Ana conta que, à primeira vista, o espaço não convenceu: estava mal cuidado e o negócio anterior não corria nada bem, mas a esplanada e a localização pesaram mais do que o estado do imóvel e o casal decidiu arriscar.

A decoração, as obras e todos os detalhes ficaram a cargo de ambos. “Avançámos sempre com pezinhos de lã”, resume Ana, já que nenhum tinha experiência a gerir um negócio de restauração.

O resultado ficou melhor do que imaginaram. Por fora, a casa mantém a traça antiga do bairro: fachada em turquesa, janelas emolduradas a pedra e uma varanda de ferro forjado no primeiro andar. É por baixo dela, à sombra dos toldos da esplanada, que os clientes se sentam nos dias de sol.

Tasquinha da Vila

Lá dentro, o amarelo das paredes contrasta com o vermelho do balcão e dá o tom a uma sala acolhedora, decorada com quadros pintados à mão de paisagens de Oeiras, retratos e uma igreja. Numa das paredes, sob um antigo arco de pedra, uma fotografia em grande formato mostra Paço de Arcos de outros tempos.

Os enchidos servidos na Tasquinha da Vila, farinheira, alheiras, paiola de porco preto e morcela, vêm todos de Idanha-a-Nova, terra dos avós e dos pais de Ana. “São sabores da minha infância e eu sabia que tinha de trabalhar com este tipo de produto”, diz. O puré que acompanha os secretos de porco preto, produto que vem do Alentejo desde a abertura da casa, leva batata-doce com marmelo da quinta dos pais de Miguel, no norte, ou batata-doce com goiaba da árvore do quintal.

O conceito assenta sobretudo em petiscos, com uma carta fixa e sugestões que variam consoante os produtos do dia. Os peixinhos da horta, “que não têm nada a ver com os peixinhos da horta das nossas avós”, custam 7,60€ e são, segundo Ana, o prato mais pedido e o motivo pelo qual muitos clientes voltam. O carpaccio de polvo com salada morna de batata, a 15€, é outro dos favoritos.

No verão, os clássicos ganham variações: o tradicional melão com presunto transforma-se em sopa fria de melão com gengibre e presunto e o gaspacho ganha beterraba e queijo feta.

Da ementa destacam-se ainda a tábua mista, a 14€; a alheira artesanal da Idanha-a-Nova com batata frita e ovo estrelado, a 16,50€; as bochechas de porco preto com puré de batata, a 17,90€; o bife à Marrare, a 19€; o bacalhau frito em tempura com tomatada alentejana, a 17,90€; o hambúrguer à Tasquinha, com tomate e cebola caramelizada, a 12,50€; a tosta aberta de salmão marinado com caviar de beringela, a 13,50€ e o queijo de cabra com mel e uvas, a 3,50€.

A clientela é maioritariamente composta por moradores locais ou das redondezas. No verão, a proximidade de alguns hotéis traz também turistas. Mas são os habituais que definem a casa: “a grande maioria dos nossos clientes são nossos amigos, e temos muitos clientes que vão desde a abertura da Tasquinha e continuam aí.”

Carregue na galeria para conhecer melhor a Tasquinha da Vila.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Pç da República 4
    2770-150 Paço de Arcos
  • HORÁRIO
  • Aberto de terça a sábado, das 12h30 às 15h e das 19h às 22h. Encerrado ao domingo e à segunda-feira.
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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