O outono está quase a chegar e, mesmo que as temperaturas ainda façam lembrar o verão, já apetece abrir um tinto mais encorpado, daqueles que pedem mesa posta e boa companhia. Para acompanhar os dias mais frescos que se aproximam, Jorge Antunes, fundador da garrafeira Algés com Sabores, em Oeiras, tem uma sugestão. “Com os dias mais frescos, este é o vinho ideal, especialmente para acompanhar pratos mais robustos”, conta o proprietário, de 56 anos, à NiO.
A escolha é o Vales do Marão Tinto Reserva 2022, produzido no Douro, na sub-região do Baixo Corgo. Por detrás deste vinho está um sonho com mais de 30 anos, que só se tornou realidade em 2020, pelas mãos de Pedro Granja e do pai. Os dois são responsáveis, há décadas, pelas vinhas que hoje dão origem aos vinhos da família.
As vinhas têm uma idade média de 80 anos e ocupam três hectares de solo xistoso, a uma altitude média de 500 metros. No total, reúnem mais de 70 castas brancas e tintas, que dão origem a vinhos produzidos com uma intervenção mínima na adega.
De cor violeta, o Vales do Marão Tinto Reserva 2022 apresenta aromas de fruta negra, esteva e pimenta rosa. “É um tanino fino, com um final de boca longo, com frescura e persistência”, descreve Jorge Antunes.
A estrutura e os taninos firmes fazem deste tinto uma boa companhia para pratos que passam horas ao lume. É o caso da chanfana, especialidade da região Centro em que a carne de cabra ou de borrego é marinada em vinho tinto, alho e louro e depois cozinhada lentamente, durante várias horas, até ficar tenra.
Também combina com os maranhos, receita da Beira feita com miudezas de cabrito e arroz, ou com o cabrito estonado e o cabrito à moda do padeiro, ambos assados lentamente e servidos com batata a murro. São pratos que pedem um tinto com corpo suficiente para os acompanhar até à última garfada.
O Vales do Marão Tinto Reserva 2022 tem 13 por cento de álcool e está disponível na garrafeira Algés com Sabores por 32,50€.

A garrafeira Algés com Sabores abriu em 2013, pela mão de Jorge Antunes. Antes de trocar de área, o formado em Arquitetura trabalhava em decoração de interiores, mas já levava 15 anos ligado às provas de vinho. “Era quase uma paixão. Aos 43 anos decidi abrir um espaço meu e aprender mais sobre vinhos”, recorda.
A mudança de vida levou-o também a investir em formação. Em 2014, fez um curso com a Enophilo, orientado pelo engenheiro Luís Gradíssimo — uma parceria que marcou a primeira década do espaço. “Recebemos muita gente e começámos a ter muitas visitas”, conta.
Com cerca de 23 metros quadrados, a garrafeira reúne aproximadamente 26 referências de produtores nacionais, com foco em pequenos e médios produtores de várias zonas do País. Os vinhos são vendidos exclusivamente à garrafa, com preços a partir de 8,50€ — entre as referências mais caras estão exemplares como o Barca Velha.
Entre as peças mais raras, destacam-se duas garrafas de vinho do Porto de 1952, associadas ao jubileu das bodas de diamante da rainha Isabel II, avaliadas em 2.000€ cada.
Na loja é possível encontrar vinhos de mesa, fortificados e espumantes. “Aqui o serviço é personalizado, explico tudo e acompanho os clientes para encontrar a melhor opção”, conclui Jorge Antunes.







