Quando se fala de Almeida Garrett, é inevitável pensar no escritor e dramaturgo português, mas no universo dos vinhos, o nome remete para um produtor com mais de 100 anos de história. A Almeida Garrett Wines foi criada em 1856 e foi pioneira na produção de vinhos com a casta Chardonnay em Portugal. Em Algés, há uma garrafeira onde se encontra uma das suas referências mais conhecidas, um branco monocasta produzido em altitude.
Com cerca de 44 hectares de vinha, a família Almeida Garrett cultiva Chardonnay e produz vinhos brancos varietais nas vinhas plantadas na Beira Interior, sendo que muitas das garrafasa que dão origem podem ser encontradas na Algés com Sabores, onde há opções com “uma ótima relação de qualidade preço”. É o caso desta sugestão.
“É um branco de colheita 2022, é um vinho autóctone da região da Covilhã”, conta Jorge Antunes, de 56 anos, fundador do espaço. O Entre Serras é feito a partir de uma única casta, neste caso não é Chardonnay, mas uma bem conhecida da região, a Síria, que nasce em vinhas entre os 15 e os 20 anos de idade.
“O seu tempo de estágio é de seis meses em tanques de aço inoxidável, tal como a fermentação, em contacto com as borras”, explica. O vinho destaca-se nesta altura do ano pela frescura, resultado do clima e da altitude onde é produzido.
É uma proposta leve, indicada “para aperitivo ou welcome drink uma vez que não se nota muito a acidez na boca”. De cor citrina, o Entre Serras apresenta notas frutadas e elegantes, com um “paladar fresco e suave e um final marcado por apontamentos tropicais”.
“A casta Síria destaca-se pelos seus aromas de laranja e limão ou pêssego e melão, um perfil mais cítrico na boca. Apesar do aroma mais adocicado, próprio da casta, o vinho torna-se mais seco”, acrescenta.
A sugestão acompanha bem peixe, marisco ou carnes leves. “Mas também é uma excelente opção de branco para se beber a solo.” Tem 12,5 por cento de teor alcoólico e está disponível na garrafeira de Algés por 12,50€.

A garrafeira abriu em 2013 pelas mãos de Jorge Antunes, que durante anos manteve uma ligação próxima ao mundo do vinho. “Levava 15 anos de provas de vinhos, era quase como uma paixão. Aos 43 anos decidi abrir um espaço meu e aprender mais sobre vinhos”, conta. Antes, formou-se em Arquitetura e trabalhou em decoração de interiores.
A mudança levou-o a investir também em formação, com destaque para um curso realizado em 2014 com a Enophilo, orientado pelo engenheiro Luís Gradíssimo. A parceria com o especialista marcou a primeira década do espaço e ajudou a consolidar a notoriedade da garrafeira. “Recebemos muita gente e começámos a ter muitas visitas”, recorda.
Com cerca de 23 metros quadrados, o espaço reúne aproximadamente 26 referências de produtores nacionais, com foco em pequenos e médios produtores. “Trabalho com produtores de vários pontos do País”, explica, destacando nomes do Douro, Beira Interior, Alentejo e Oeiras.
Os vinhos são vendidos exclusivamente à garrafa, com preços a partir de 8,50€ e que podem atingir valores mais elevados. Entre as referências há exemplares como o Barca Velha ou vinhos avaliados em 1400€. Entre as peças mais raras, destaca duas garrafas de vinho do Porto de 1952, associadas ao jubileu das bodas de diamante da Rainha Isabel II, avaliadas em dois mil euros cada.
Na loja é possível encontrar vinhos de mesa, fortificados e espumantes. “Aqui o serviço é personalizado, explico tudo e acompanho os clientes para encontrar a melhor opção”, conclui.








