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Esta foodtruck só serve pratos “à Brás”, entre receitas de pato, caranguejo e bacalhau

Mafalda Caldas reinventou o clássico português em cinco versões, disponíveis para comer e andar. Pelo caminho, ainda prepara pratos na cozinha do MasterChef.

Quando Mafalda Caldas foi de Erasmus para Madrid, com apenas 19 anos, a mãe deixou-lhe um saco cheio de enlatados e uma única receita de “comida de verdade”, a de um bom e bem português bacalhau à Brás. O prato, além de lhe salvar muitos jantares improvisados enquanto estudante, abriu caminho a uma paixão pela cozinha e tornar-se-ia a estrela de um negócio, mais de duas décadas depois.

Em maio de 2024, Mafalda apresentou ao mundo a WonderBraz, a primeira food truck portuguesa dedicada exclusivamente ao Brás. Com ela chegaram cinco versões do prato, preparadas no momento, servidas em caixas práticas e pensadas para comer e andar. A base é a mesma, mas há criatividade nos ingredientes, que trocam o bacalhau por caranguejo, pato, cogumelos, e até alho-francês. Mais importante do que os ingredientes, é o ponto perfeito do ovo, a peça essencial que faz deste prato uma taça gulosa. “Não há nada pior do que um bacalhau à Brás seco”, garante.

A WonderBraz está neste momento estacionada na Quinta da Fonte, em Oeiras, onde serve almoços de segunda a sexta, das 12 às 15 horas. A partir de fevereiro regressa à estrada, com presença confirmada em vários festivais e festas populares e aberta a convites e eventos privados.

Mafalda está sempre por lá, de avental posto e olhos atentos ao tacho, exceto quando é chamada para a ocasional aparição televisiva, ela que é uma das concorrentes da nova temporada do “MasterChef Portugal”, que arrancou em setembro. “Tem sido um desafio brutal, mas é mais uma forma de sair da zona de conforto e crescer com isso”, conta.

Uma ideia de Mafalda.

A ideia da food truck não surgiu por acaso nem foi uma epifania tardia. Foi maturada durante anos por Mafalda, que aos 42 anos decidiu mudar tudo. Tinha um cargo de direção numa grande multinacional de cosmética, uma carreira de quase duas décadas na área da comunicação e um salário estável. Mas sentia que já fazia tudo “de olhos fechados” e que a vida, definitivamente, não podia ser só aquilo. “Foi um passo atrás muito consciente, para depois poder dar vários em frente”, explica.

Fez um curso intensivo de Gestão e Produção de Cozinha no IEFP, estagiou numa food truck de hambúrgueres e em 2023 despediu-se. Estava pronta para cozinhar e para empreender. A escolha do formato food truck também não foi aleatória. Em 2020, em plena pandemia, enquanto trabalhava na Quinta da Fonte, no concelho de Oeiras, reparou numa carrinha de comida tailandesa estacionada num espaço quase vazio. Ficou fascinada com a ideia de levar comida até às pessoas, sem depender de um espaço fixo. Mais ainda quando percebeu que o mercado da street food em Portugal estava praticamente dominado por comida internacional. “É pena é que insistam que a street food em Portugal tenha de ser sempre comida estrangeira”, aponta.

Decidiu que o seu negócio teria de ser português. Não só pela ligação emocional, mas também por uma questão estratégica. “Quase toda a street food envolve algo no pão, o que eu não gosto particularmente, porque acabo sempre por me sujar toda e obriga a ter que andar cheia de guardanapos”, brinca. Idealizou um prato quente, completo, saboroso, mas fácil de comer em pé, numa caixa, no jardim ou no carro. A escolha foi óbvia.

A WonderBraz tem cinco versões no menu: o Oh My Cod (10,20€) é o bacalhau à Brás tradicional, e é também o mais nostálgico; o Duckalicious (10,80€) leva pato marinado em laranja e paprika fumada; já o campeão de vendas é o Sebastian (13,80€), com caranguejo e finalizado com ovas.

 
 
 
 
 
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Quem não come carne ou peixe tem duas opções alternativas: o Mix & Mush (9,20€) feito com cogumelos Pleurotus; e o Yummy Leeks (8,80€), feito à base de alho-francês. Ambas as versões podem ser veganizadas, com substituição do ovo.

Os pratos são preparados no momento e demoram apenas três a cinco minutos. E são sempre ajustados ao gosto do cliente, que Mafalda questiona para perceber se gosta do brás com ovo mais “corridinho” ou menos húmido.

Para Mafalda, a WonderBraz é mais do que uma marca. É uma missão pessoal. E tem planos ambiciosos para o futuro. Em 2026 quer lançar uma segunda carrinha — uma fixa, outra itinerante — e, a médio prazo, criar uma pequena cadeia em centros comerciais. “Tudo é alcançável se fizermos a estratégia e o esforço necessários para isso”, acredita.

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