Quem passa pela Rua Costa Pinto, em Paço de Arcos, sabe quem ali mora. Durante cinco décadas, foi ali funcionou o Carula, um dos restaurantes mais antigos do concelho de Oeiras e uma verdadeira referência da zona. Fundado em 1970 por um empresário galego conhecido como Pulga, o espaço nasceu com a ajuda de um empregado de restauração da terra que acabaria por se tornar a alma da casa, o Sr. Joaquim.
Foi ele quem ficou à frente do restaurante durante 55 anos, mas no verão de 2025, um problema de saúde obrigou o oeirense a fechar portas. Para muitos clientes habituais, parecia o fim de uma era. Mas não foi.
O Carula acaba de reabrir “no sítio do costume”, agora com uma gerência “da terra”. Ao leme está André Roliz, 35 anos, natural de Oeiras e com duas décadas de experiência na restauração. “Formei-me com os melhores professores de hotelaria do País, que são os grandes empregados de mesa. Comecei a trabalhar com 15 anos na restauração, enquanto conjugava com a escola, e desde então não saí da área”, conta.
Depois de quatro anos a trabalhar “na casa do lado”, seguiu-se uma passagem pelo emblemático Arcos e, mais tarde, pelo Astrolábio, negócio vizinho. “Sou de Oeiras e dos meus 20 anos de trabalho, os últimos 10 foram passados em Paço de Arcos, nestas duas casas”, conta. Agora, assume o desafio de dar continuidade a uma casa com história, que foi reinaugurada na quinta-feira, 12 de fevereiro.
Quem conheceu o antigo Carula vai reparar nas diferenças assim que entra no novo espaço. “O restaurante está totalmente renovado, mais moderno e com equipamentos novos”, explica o gerente. As paredes de tijolo foram tapadas e o espaço ganhou tons brancos e vermelhos, que lhe dão uma imagem mais leve e atual. No lado direito, há agora um sofá corrido que acompanha toda a parede até às janelas.
Ainda assim, a memória não foi apagada. Mantiveram-se as fotografias antigas de Paço de Arcos que continuam a compor as paredes, o balcão corrido do lado esquerdo e o arco em tijolos que marca a entrada para a zona das mesas. E, claro, a vista para o Tejo, uma das imagens de marca do restaurante.
Também na cozinha a tradição continua a ser lei. Tal como na antiga casa, os peixes grelhados mantêm-se como especialidade, assim como a carne de porco à alentejana (14€), um dos pratos mais pedidos. “Vamos seguir a mesma linha da cozinha: o foco é a gastronomia portuguesa, como sempre, mas com empratamentos mais cuidados”, garante.
Para quem prefere começar com petiscos, há muito por onde escolher: amêijoas à Bulhão Pato (24€), berbigão à Bulhão Pato (14€), gambas fritas ao alho (12€), salada de polvo (10€), meia desfeita de bacalhau (8€), moelas estufadas (10€), cogumelos salteados com bacon (8€), entremeada de coentrada (5€) ou ovos rotos de camarão (12€).
Na seleção do mar destacam-se o robalo grelhado (24€), dourada grelhada (18€), pregado grelhado (22€) e linguado grelhado (28€), servidos com legumes salteados e batata ao alho. Há ainda arroz de polvo (20€), bacalhau grelhado ou cozido (18€), bacalhau ou gambas à brás (16€) e filetes de peixe com arroz de coentros (18€).
Já na seleção da terra surgem propostas como arroz de pato no forno (20€), bife do lombo frito ou grelhado (26€) com batata frita, carne de porco à alentejana (14€), secretos de porco preto com batata doce e salada (18€) ou caril de frango com arroz basmati e frutos secos (16€).
Uma das principais novidades está no funcionamento. “A maior diferença estará no horário, vamos ter entrada de petiscos e horários específicos para os pratos principais”, adverte. O Carula passa a funcionar das 12 às 23 horas, recebendo clientes para petiscar ao longo de todo o dia. Já os pratos principais da seleção do mar ou da terra estarão disponíveis entre o meio-dia e as 15 horas e das 19 às 23 horas, altura em que serão servidos os pratos da seleção do mar ou da terra, isto é, os pratos principais.
Com capacidade para 50 pessoas, o restaurante aceita reservas e trabalha exclusivamente à carta. “Funcionamos só à carta e estamos de braços abertos para receber os clientes e dar continuidade a uma casa com muita história”, conclui André Roliz.

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