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Avental de cabedal: os motards de Oeiras fazem “os melhores caracóis das Festas de Oeiras”

O Clube Motard CCD 477 tornou-se um dos locais mais concorridos das festas locais, muito graças aos petiscos e ao espírito de grupo.

Durante muitos anos, oito amigos juntavam-se regularmente em torno de uma paixão comum, as motas. Organizavam passeios, convívios e almoçaradas, sem imaginar que aquele grupo acabaria por se transformar num dos espaços mais concorridos das Festas de Oeiras. Duas décadas depois, o Clube Motard CCD 477 continua a juntar centenas de pessoas à mesa e há um petisco que se tornou quase obrigatório para quem passa por lá: os famosos caracóis preparados pelo presidente do clube.

A história começou há 20 anos, quando Joaquim Pinteus, Luís Martins, José Bernardo, Carlos Camilo, Luís Fernandes, Artur Silva, Francisco Silva e Luís Simões decidiram criar um grupo dedicado ao mototurismo. Todos trabalhavam como motoristas na Divisão de Viaturas e Máquinas da Câmara Municipal de Oeiras e partilhavam a mesma paixão. “Somos um grupo que é a secção de mototurismo do Centro de Cultura e Desporto da Câmara. A nossa secção é a 477 então desde o início que foi adotado este nome”, explica João Nogal, de 51 anos, membro da atual direção.

Desde o começo que o clube definiu duas prioridades: o convívio e a ajuda à comunidade. Além dos passeios turísticos e encontros entre sócios, o grupo participa regularmente em iniciativas promovidas pela autarquia. “Apoiamos a Câmara em provas desportivas e tudo o que precisam. Fazemos também os Pais Natais de mota durante as festividades e somos um apoio quando precisam de nós”, conta.

Como não tinham um local fixo, nos primeiros três anos de existência, o Clube chegou a ter uma barraquinha nas Festas de Oeiras, “uma três por três”, onde serviam petiscos simples para angariar dinheiro, mas há 17 anos tudo mudou. “Precisávamos de um espaço para estar, e foi-nos cedido o local onde estamos hoje, no Jardim Municipal de Oeiras, durante o ano, mas tínhamos a condição de durante os 15 dias de Festas de Oeiras, teríamos de sair”, recorda.

O edifício tinha sido utilizado como cozinha de apoio de um antigo restaurante da vila, especializado em posta à mirandesa. “As paredes estavam cheias de gordura”, lembra. Os sócios avançaram com obras, recuperaram o espaço e transformaram-no completamente. O resultado impressionou até o proprietário do restaurante.

“Na altura das Festas, nesse ano, o dono do restaurante disse que não fazia sentido estarmos a sair de lá e que tínhamos feito um excelente trabalho: cedeu-nos o espaço total”, conta.

Foi assim que nasceu a sede oficial do clube. Atualmente, o espaço funciona aos fins de semana, mas ganha outra dimensão durante as Festas de Oeiras. “Há quem tire férias para estes dias, porque temos muito trabalho, abrimos todos os dias, e são momentos de grupo incríveis”, diz João.

A maioria dos elementos tem outras profissões e dedica-se ao clube de forma voluntária. “Todo o dinheiro reverte para o clube, melhorar as infraestruturas ou apoiar causas que nos façam sentido.”

Ao longo do ano organizam karaokes, caracoladas e festas temáticas. A mais recente aconteceu há cerca de um mês para assinalar os 20 anos do clube e reuniu mais de mil pessoas no Jardim Municipal. “Fazemos isto porque gostamos, não nos dá lucro. Só conseguimos juntar algum dinheiro na altura das Festas de Oeiras.”

Durante o evento, as portas abrem às 19h30 e as filas começam a formar-se pouco depois. O espaço tornou-se um dos locais mais procurados para petiscar durante as festividades. “Já temos reservas até ao último dia das Festas”, revela. E apesar de ter capacidade para cerca de 120 pessoas sentadas, chegam a servir aproximadamente 250 clientes por noite. “Somos sempre cerca de 20 pessoas a trabalhar por noite para dar conta de tudo”, acrescenta.

Na ementa encontram-se alguns dos clássicos mais procurados das festas populares: caldo verde (2€), bifanas no pão (3€), cachorros (2,50€), pica-pau (5€), entremeada no pão (3€), hambúrgueres (4€), chouriço assado (5€), sardinha no pão (2€) e caracóis, que custam 5€ a dose pequena e 9€ o prato grande.

“As nossas sardinhas são muito procuradas por serem boas, mas sem dúvida que os caracóis são o nosso petisco mais pedido”, garante. O prato tornou-se uma das imagens de marca do espaço. Por trás da receita está António Marques Miguel, conhecido por Toni, presidente do clube e responsável pela preparação dos caracóis.

“No bom dia chegamos a vender 50 quilos. Tivemos dias nas Festas que só na primeira hora vendemos 30 quilos”, confessa. O segredo, garante João, está na preparação. “Ele lava cerca de 7 vezes os caracóis. Vem para aqui mais cedo que todos, ainda de tarde, para lavar os caracóis e prepará-los, ninguém sabe a receita nem deixa que o vejam a fazer”, revela.

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