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As tartes de queijo cremosas de Miguel Oliveira são as novas estrelas de Paço de Arcos

O chef que ficou conhecido pelo Pudim Rei renovou a marca, criou novos sabores e prepara um ciclo de encontros gastronómicos no mercado.

Miguel Oliveira tem um fascínio por pudins. E dos pudins nasceram muitas outras criações, da bola de Berlim com pudim à rabanada à espalhola com recheio de Abade de Priscos que preencheu de ainda mais calorias o ano de 2020, ou mais recentemente o premiado Pudim Rei. Mas por agora, os pudins vão ter que esperar, porque há uma nova estrela nas mãos do chef pasteleiro, a tarte basca, a mais recente adição ao elenco de tartes que faz desde 2022. “A cremosidade é o nosso lema”, diz sobre a característica do doce que se tornou no best-seller da casa e que este ano passou a ter novos sabores, disponíveis no espaço no Mercado de Paço de Arcos.

Sem farinha e com um teor de açúcar residual, as tartes são leves apesar da cremosidade. É essa combinação que o chef aponta como a grande diferença face à tradição espanhola que nasceu na cozinha do La Viña, em San Sebastián, e se tornou numa celebridade mundial. Certo é que Miguel garante que no ateliê já recebeu a visita de um chef com estrela Michelin do País Basco, que garantiu nunca ter provado uma tarte basca tão boa. “Isso dá-nos mais alento”, assevera.

Sentou-se então capaz de virar do avesso a receita original e trocar o queijo creme por outros queijos mais ousados. Entre os sabores estão Queijo da Serra, Gorgonzola, Queijo de São Jorge com 24 meses de cura, Parmesão, Caramelo Salgado e Chocolate e Lima. Cada fatia custa 6€, à exceção da original, mais fina e vendida a 5€. As tartes inteiras ficam a 42€, ou a 36€ no caso da Basca. Nas redes sociais, o ateliê divulga diariamente a tarte do dia, sempre feita de fresco.

A marca também mudou de nome. Chama-se agora apenas Miguel Oliveira, sob o mote “Tradição. Inovação.”, uma assinatura que resume o equilíbrio entre o respeito pelas receitas e pela memória gastronómica e a liberdade para questionar, experimentar e criar. “Não queremos escolher entre tradição e inovação. Queremos que as duas convivam na mesma marca”, explica o chef.

Entre as novidades está também um novo formato para a Tarte Basca: 200 gramas apresentados numa “caixa joia” vinda especialmente de Paris. Custa 10€ e foi pensada para consumo a dois ou como presente. “A ideia foi transformar uma tarte de 200 gramas numa experiência: abrir uma pequena caixa e encontrar lá dentro algo tratado e apresentado como uma joia”, descreve Miguel Oliveira.

O trabalho valeu ainda ao espaço um reconhecimento internacional atribuído pelo Guia Repsol, prestigiado roteiro gastronómico e de turismo ibérico, criado em Espanha em 1979, que em Portugal distingue o melhor da restauração através de inspetores especializados e avalia a qualidade culinária, a ligação aos produtos locais e a experiência à mesa. E os reconhecimentos não ficam por aqui. Em julho de 2026, Miguel Oliveira recebeu a Medalha Municipal de Mérito, atribuída pelo Município de Oeiras, um reconhecimento do percurso do chef, construído com dedicação, persistência e respeito pela gastronomia portuguesa.

É também a pensar nos clientes que Miguel Oliveira prepara uma nova iniciativa para os próximos meses. As Tertúlias no Mercado arrancam no sábado, 26 de setembro. O novo ciclo de encontros gastronómicos é organizado em conjunto com o Município de Oeiras e a primeira edição será dedicada ao Pudim do Abade de Priscos. Acontece entre as 16 e as 18 horas, no Mercado Municipal de Paço de Arcos, com vagas limitadas a 20 participantes.

Durante duas horas, os inscritos vão além de um simples workshop: partilham conhecimento, história e técnica com o chef, entre perguntas e conversa. No final, há direito a uma degustação e a um Pudim do Abade de Priscos, em versão familiar, para levar para casa. A participação custa 49€ e as inscrições, feitas por telefone ou por e-mail, têm de ser confirmadas até 22 de setembro.

O ateliê, no Mercado de Paço de Arcos, abriu a 6 de julho de 2024. Está dividido entre a zona de loja e a cozinha de produção, “um verdadeiro laboratório”, como lhe chama o chef, com grandes janelas que permitem aos clientes ver os pasteleiros em ação. Foi ali que nasceu o Pudim do Marquês, produzido com vinho de Carcavelos, uma receita criada a pedido da Câmara Municipal de Oeiras e que se tornou na imagem de marca do projeto.

Natural do Porto, Miguel Oliveira, de 57 anos, vive há vários anos em Lisboa, cidade onde abriu as primeiras lojas, em Campo de Ourique, em 2018, e na Rua Braamcamp, em 2022. O projeto tinha arrancado em 2014, ano em que o chef participou n'”A Mesa dos Portugueses”, concurso dedicado à gastronomia nacional que distinguia pratos feitos com produtos de origem portuguesa. Miguel concorreu com uma versão do pudim Abade de Priscos e venceu na categoria de Doçaria. Chamou-lhe Pudim Rei e construiu à volta dele o primeiro negócio.

No final de 2021, a Câmara Municipal de Oeiras desafiou o chef a criar uma versão do pudim com ingredientes locais. “Foi uma maratona de cinco meses até conseguir chegar ao produto final. Quis sentir o ambiente do Palácio do Marquês, dos jardins, e fui para lá uns dias para me inspirar”, contou à NiO na altura em que o Pudim do Marquês foi apresentado, na primavera de 2022. Ao vinho de Carcavelos juntou laranjas colhidas nos jardins do palácio, azeite de Oeiras e escamas de sal fumado, ingredientes que, segundo o chef, conferem ao doce a sua “portugalidade” e a ligação ao mar.

Do antigo espaço da Rua Braamcamp ao mercado de Paço de Arcos foi um passo natural. “Já andávamos a namorar esta zona há muito tempo”, conta Miguel. A mudança tornou-se necessária à medida que o portefólio crescia. “A cozinha do espaço anterior era muito pequena. No início, quando fazíamos só o pudim não havia problema. Mas o projeto começou a crescer, foram nascendo mais produtos, fomos aumentando o portefólio e precisávamos de um espaço maior. Além disso, temos muitos clientes desta zona”, explica o chef.

O apoio da autarquia também pesou na decisão. “Temos tido muito apoio da Câmara de Oeiras. Convidam-nos para participar em diversos eventos no Palácio do Marquês de Pombal, também estivemos no Há Prova, entre outros. Acredito que a nossa presença aqui é bom para todos e, especialmente, para a comunidade”, acrescenta. Gorete Pinto, gerente do ateliê, junta a essa relação de proximidade a divulgação da região junto dos turistas, feita sobretudo através das redes sociais.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Mercado de Paço de Arcos, Praceta Dionísio Matias
    2770-048 Paço de Arcos
  • HORÁRIO
  • Quarta a sábado, 11h às 19h; domingo, 15h às 19h
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€

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