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Armazém d’Vinho: visitámos o novo restaurante de Carnaxide que é também uma garrafeira

O espaço, que abriu em junho, tem mais de 250 referências de vinhos nacionais. Das entradas às sobremesas, vale a pena a visita.
Um espaço acolhedor.

“O último restaurante a abrir no nosso concelho, espetacular e inovador”. Foi assim que o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, se referiu ao Armazém d’Vinho, um dos 51 espaços apontados pelo autarca na famosa lista apresentada em Assembleia Municipal, a 7 de setembro. Isaltino Morais enumerou alguns dos seus restaurantes favoritos do concelho de Oeiras e a verdade é que muitos duplicaram as reservas nas últimas semanas e viram os pratos, referidos pelo autarca, liderar os pedidos.

Tratando-se de uma novidade, a NiO não podia deixar de conhecer o espaço que, mal abriu, já está nas bocas do mundo. Foi em junho que o Armazém d’Vinho foi inaugurado, com um conceito, como o nome indica, baseado numa extensa oferta de vinhos, que tanto podem ser consumidos no local, durante uma refeição, como comprados avulso. Entre centenas de referências, que começam nos 10€, quisemos saber qual o vinho mais caro à venda. O responsável Jorge Ferreira, de 44 anos, revela: é um Barca Velha a 900€.

Ao entrar no restaurante, com uma decoração que procura ser acolhedora e sofisticada, ninguém diria que o primeiro plano para aquele espaço era apenas ser uma fábrica de pão e bolos. Situado na zona industrial de Carnaxide, o local era um antigo armazém, que a família Ferreira, responsável pelas pastelarias Papa Fina, instaladas naquela localidade, quis transformar num grande espaço de produção. Porém, as características do lugar levaram a que os responsáveis decidissem acrescentar um restaurante ao projeto inicial.

“A nossa área sempre foi mais a pastelaria, temos dois espaços em Carnaxide e um na Parede. Tínhamos duas fábricas separadas, mas sentimos a necessidade de juntar a produção toda num só local, até para poder melhorar as condições dos funcionários. O projeto inicial era, além da fábrica de pastelaria, ter também uma cozinha de produção, onde fizéssemos toda a parte de refeições, como sopa e alguns pratos tradicionais, que servimos como sugestões diárias nas pastelarias”, conta à NiO, Jorge Ferreira. 

“Durante a pandemia conseguimos trabalhar muito bem com empresas, com um serviço de catering que já tínhamos. Sentimos que começou a aumentar a procura, por parte das mesmas, para que tivéssemos um espaço físico, onde elas pudessem fazer eventos, almoços de trabalho, reuniões, aniversários de colaboradores, enfim. Pensámos: ‘Bem, já temos aqui a cozinha, se calhar tem sentido fazer um espaço que vá ao encontro do que esses clientes nos pedem, que seja diferenciador e que não existisse em Carnaxide”, revela o responsável. 

Desde logo, os responsáveis sabiam que teria que ser uma casa de vinhos, já que esta é uma área pela qual o patriarca da família, Manuel Ferreira, sempre foi apaixonado. “Este é um projeto completamente familiar, que tem vindo a crescer, e do qual fazem parte o meu pai, o meu irmão e também a minha mãe”, sublinha Jorge. “Somos uma família de raízes transmontanas, gostamos de comer e beber e a ideia foi-se desenvolvendo também pelo gosto por vinhos que o meu pai sempre teve, ao ponto de ter uma garrafeira como hobby. Então, trouxemos para aqui esse conhecimento, de forma a criar um restaurante diferente”, conclui. 

Tem vinhos para todos os gostos.

O pai, Manuel, acrescenta: “Logo a partir da altura em que pensámos no restaurante, decidimos que teria um conceito à volta do vinho, apostando na diferença pela qualidade, pela variedade e pelo preço. Adoro vinhos do Douro e do Dão, mas também do Alentejo, da Bairrada. Temos belíssimos vinhos de todas as regiões, também da Madeira e dos Açores, que são arintos diferentes”.

Armazém d’Vinho é, assim, um restaurante e uma garrafeira, que funciona como loja, ocupando os dois pisos do espaço. Ao todo, tem mais de 250 referências de vinho, divididos entre brancos e tintos nacionais, de várias zonas do País, além de Vinho do Porto e champanhe. “Temos algumas referências até menos conhecidas, optámos por vinhos diferenciados, porque o nosso objetivo é também dar a conhecer diferentes produtos aos nossos clientes. Vamos ter aqui também provas com produtores e outros eventos. Se o cliente gostar, pode levar o vinho para casa, a um preço mais simpático”, garante Jorge. 

O testemunho da herança vinícola está presente também na própria decoração do restaurante, pensada ao pormenor e criada muito à volta dos protagonistas deste espaço, inclusive nos murais pintados nas paredes. “Achámos que o facto de os vinhos estarem expostos era mais cativante e despertava mais a atenção dos clientes. Fica mais chamativo. O nome também ajuda. É um restaurante em que as pessoas realmente bebem vinho”, conclui o responsável. 

Tudo o que pode provar

Para estar tudo em harmonia, a família Ferreira quis criar um menu à medida, com pratos que acompanhassem de forma perfeita os vinhos escolhidos. A carta foi desenvolvida de raiz pelo chef André Duarte, porque “nada combina melhor com um bom vinho do que os sabores da tradição gastronómica portuguesa. Unimos o requinte dos nossos vinhos à autenticidade dos nossos pratos”, garantem.

Das entradas, passando pelos pratos, até às sobremesas, vai encontrar várias propostas originais. Mesmo aquelas que poderá já ter provado noutros sítios, chegam à mesa com um toque especial como, por exemplo, os peixinhos da horta (6,50€), feitos com um pomme especial ou os ovos rotos com chouriço e cogumelos (7€) que, garantimos, são deliciosos. Aliás, ao passar os olhos pela carta, terá vontade de provar várias entradas, mas tenha alguma contenção, já que vai querer manter o apetite até ao final da refeição. Para começar, poderá optar pelos croquetes de berbigão à Bulhão Pato (4€), crocantes de sapateira (7€), pica-pau de novilho (13€), carpaccio de novilho com trufa e pistácio, burrata com pêra caramelizada (10€), tábua de queijos (18€) ou tábua de enchidos (13€). 

Como prato principal, será difícil escolher entre o carolino de berbigão com corvina de mar (22€), “um prato que o fará voltar ao restaurante”, garantem os responsáveis, ou os tentáculos de polvo com esmagada de batata doce (22€). Para quem é fã de carnes, o cachaço de porco a baixa temperatura (21€) tem feito sucesso, mas pode provar também o lombo de novilho com molho de mostarda e mel (23€), as plumas de porco preto (21€), ou a sugestão do chef, Rib Eye com ovos rotos (48€).

Para adoçar o final da refeição, a especialidade da casa é uma rabanada com creme de baunilha (6€), diferente da típica rabanada portuguesa, “é mais inspirada na francesa”, refere Manuel, que o vai surpreender. Pode optar também pela tarte de limão merengada desconstruída (6€), o bolo de chocolate com caramelo salgado e gelado de caramelo (6€), a pavlova com ganache de chocolate branco e coulis de frutos silvestres (6€) ou o pão de ló cremoso com gelado de queijo da Serra (5€). 

Aconselhamos que, quando quiser fazer uma visita ao restaurante, vá com tempo e sem pressas, para poder aproveitar da melhor forma a viagem de sabores que vai percorrer nas várias fases da refeição. Armazém d’Vinho é um espaço agradável, com boa comida, e se tiver dúvidas de qual o melhor vinho para acompanhar o prato que pediu, peça sugestões aos colaboradores, com competência para aconselhá-lo da melhor forma. 

Carregue na galeria para conhecer melhor o espaço e algumas das iguarias que pode provar por lá. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Comendador Nunes Corrêa 20
    2790-225  Carnaxide
  • HORÁRIO
  • Quarta a sábado das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
  • Terça e domingo das 12h30 às 15h30
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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